Quando já sobrevoávamos a China, vimos ao longo de bastante tempo, a muralha. Durante a descida a Xangai, o piloto andava às voltas com o avião, e havia muitos poços de ar. Em Xangai parámos durante uma hora e meia. Durante a paragem, surgiu um nevoeiro esquisito do teto do avião. Achámos aquilo um bocado estranho (por inexperiência), mas lá nos habituámos. Infelizmente não pudemos sair. Assim, ficámos dentro do avião, a gozar a cena que se passava lá fora - nas pistas acessórias podiam observar-se pessoas a andar de bicicleta na maior das calmas, como se nada fosse. Penso que em nenhum outro aeroporto se lembrariam de deixar pessoas a circular de bicicleta [poderiam ser trabalhadores, mas nada o indicava claramente] pelo aeroporto fora.
No princípio da segunda parte da viagem (a seguir a mais poços de ar e tentativas de sair dali), ouvimos e aplaudimos músicas que os Bolivianos cantavam. Depois, uma rapariga coreana de 16 anos que o Ricardo conhecera no avião, foi lá ter connosco onde estávamos sentados e ensinou ao Ricardo o abecedário coreano e algumas expressões coreanas. Já no fim da viagem, tivemos de preencher um formulário que era obrigatório entregar no aeroporto de Seul. Fez-nos impressão como estávamos já às 17.15h de Seul do dia 31 de Julho! Custou-nos a habituar.
Ao contrário das expressões duras dos russos, aqui os coreanos sorriam e cumprimentavam-nos com alegria [creio que muita gente estaria informada do evento internacional]. Reparámos na sofisticação do aeroporto. Quando chegámos ao sítio onde tínhamos de mostrar os passaportes, além dos inúmeros anúncios ao Jamboree, estava lá um escoteiro com uma tabuleta na mão a dizer Portugal. Começámos a sentir uma organização extrema que nos fez sentir bem. O escoteiro falava inglês e ajudou-nos a preencher o resto dos formulários. A seguir a mostrar o passaporte fomos buscar as mochilas. Este escoteiro, e outro que o acompanhava, oferecia constantemente carros de carga, pois achou-nos demasiado carregados com aquelas mochilas. De seguida fomos trocar dinheiro. Aqui as contas com dinheiro também eram fáceis. Era só dividir por cinco. Um Wouwn é equivalente à quinta parte de um escudo - vinte centavos [4 cêntimos de euro]; ao contrário de um rublo, que vale 5 escudos. Era fácil, portanto.
À saída do aeroporto, tínhamos uma carrinha só para nós, que ia levar-nos até um campo de formação de escoteiros, a 30km do centro de Seul. Assim que saímos para o exterior, parecia que tínhamos entrado numa piscina coberta. O céu estava coberto de nuvens e estava muito calor e muita humidade. Colocámos, com algum custo, todas as bagagens e toda a gente na carrinha. Mesmo com calor e suores, estávamos cansados e dormitámos um pouco.
O campo de formação de escoteiros ficava nos subúrbios da cidade, bastante isolado e ao pé de um campo de golfe e de um campo de arroz. O edifício da sede imitava uma tenda. Tinha uma sala grande assim que se entrava, com uma mesa de reuniões. À volta desta, podiam observar-se bustos de figuras importantes do escotismo coreano e posters de acampamentos. Mais perto da entrada e à esquerda, havia um balcão com coisas do Jamboree à venda. Depois ao pé havia uma porta que dava para o escritório do presidente. Do outro lado havia um grande refeitório e outras salas. Estivemos a falar com o chefe e conhecemos o senhor que tomava conta daquilo - o Se. Yum, uma figura caricata, com quem aprendemos várias coisas e nós também lhe ensinámos, apesar de ele não saber falar inglês.
Deram-nos duas tendas grandes. Uma ficou para os CNE e a outra para nós. O Jaime, o Zé Inácio e o Cabrita ficaram a montar a tenda, enquanto o Bruno, o Ricardo e a Rita ficaram nas escadas do edifício da sede. Entretanto, começou a chover, mas até soube bem. As mochilas, que tinham ficado à porta da sede, foram carregadas pelos três mais novos. A seguir brincámos com um cachorrinho que lá havia.
Depois de tudo arrumadinho, fomos tomar banho. O banho frio soube bastante bem, mas com a humidade e o calor, passados cinco minutos, apetecia-nos mais um banho. A seguir fomos preparar o jantar. Ao pé dos balneários e das casas de banho (que além de não serem limpas há bastante tempo, tinham uns besouros horrorosos) havia um chafariz e uma mesa. Foi aí que preparámos o jantar e a maior parte das outras refeições no campo de formação. O nosso jantar foi arroz à valenciana, daquele de preparação instantânea. Depois do jantar e de se ter lavado a loiça, fomo-nos logo deitar.
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