sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Finalmente, Sorakson | Dia 7 de Agosto de 1991 - 10º dia de atividade

 Hoje foi o dia de irmos para Sorakson, e o autocarro que nos levou arrancava às 9h. Acordámos às 6h e arrumámos tudo, desmontámos as tendas, etc. Como havia muitos bichinhos "acampados" no duplo teto e no cimo da tenda, quando sacudimos, assistimos a um espetáculo. O senhor Yum indicou-nos um sítio com sol para secar a tenda, mas mais tarde os cães estiveram a brincar ali sem darmos por isso, e ficou tudo sujo na mesma.

Depois de tudo arrumado e postas as mochilas no autocarro, fomos tirar fotografias todos juntos à entrada da sede. Primeiro, o senhor Yum tirou-nos duas fotografias com a máquina dele e depois tirámos nós. Deixámos algumas recordações com o Mr. Yum.

Antes de partirmos, pusemos a bandeira no vidro de trás do autocarro. Connosco, iam só dois alemães. Éramos para ir ter com os Bolivianos, mas eles não estavam lá, e seguimos só nós.

A viagem era de 7 horas. Havia um guia que traduzia as nossas perguntas ao motorista e vice-versa. Este dia deu-nos um guião de viagem, com as várias paragens que íamos fazer e a duração de cada trajeto. NO leitor de cassetes estava a dar músicas do Jamboree. Como eram sempre as mesmas, às tantas pedimos para mudarem para Phil Collins, Water Boys, etc. Atravessámos Seul de um lado ao outro para sairmos na direção de Sorakson. Estava muito trânsito e pudemos ver alguns dos locais por onde tínhamos andado nos últimos dias.

Pouco depois surgiu uma autoestrada que, naquele dia, era só para participantes do Jamboree. Toda a estrada exclusivamente para escoteiros e organizadores deste acontecimento. Tudo quanto era polícia e militares fazia continência à nossa passagem; a população acenava.

À medida que íamos avançando, a paisagem era mais espetacular. Imaginávamos já a beleza do local do acampamento. Para que a estrada se tornasse menos difícil no meio das montanhas, havia muitos túneis e viadutos. Umas vezes mais perto, outras mais longe, podíamos ver a linha do comboio, igualmente com muitos túneis. De uma vez, vimos um comboio a sair do túnel, parecia aquele anúncio da Nestlé. As florestas eram imensas e de grandes extensões; os rios eram límpidos e víamos pessoas a tomar banho, apetecia mesmo. Pela estrada fora víamos publicidade ao Jamboree, com muitas bandeiras, paineis, sempre o símbolo da atividade, havia também séries de bandeiras nacionais dos países presentes, pelo que, cada vez que víamos a nossa, aplaudíamos.

Nas paragens, além de irmos às "embaixadas", íamos conhecendo outros escoteiros que vinham nos outros autocarros. Eram tantos, que o Cabrita comentou, "Aqui só não há não escoteiros". Numa das paragens, quase todos comprámos uns bolinhos que pareciam de chocolate, mas eram um pouco enjoativos. Mais tarde, percebemos que eram de feijão.

Durante a viagem tirámos a desforra a horas de sono perdidas nos últimos dias, a Rita treinava o seu alemão, conversando os escoteiros alemães que vinham connosco; o Cabrita tirava algumas impressões com o anfitrião do dia (o guia da viagem).

A última parte da viagem durou 40m. Seguia por uma estrada de curvas apertadas e íngremes. Às tantas, começámos a descer para o vale onde decorreu o Jamboree. Chegámos às 16h, como previsto. Parámos na receção e o Tó foi perguntar qual o sítio onde íamos ficar. Quando voltou disse-nos que era no sub-campo 4, na troop 20. Despedimo-nos do intérprete e o motorista levou-nos para a entrada do sub-campo 4.

Aquilo era mesmo grande. Era uma autêntica cidade de escoteiros. Íamos estar ali uma semana inteira e mais um dia naquele sítio lindo, com escoteiros por todo o lado, lembrando-nos dos que não puderam vir connosco.

Com o contingente português, no nosso campo estavam mais dois, e como eram contingentes pequenos, ficámos todos juntos - além de nós, Marrocos e as Ilhas Faroe, que é um arquipélago que pertencia à Dinamarca e que entretanto tornou-se independente.

Enquanto o Jaime e o Tó foram informar-se de como estaria organizado o acampamento e outras coisas, o resto do grupo ficou a montas as tendas. O Zé Inácio e o Cabrita montaram um Iglu, o Bruno e a Rita montaram o Iglu do Jaime e o Ricardo tentou montar outra tenda, mas quando as outras já estavam montadas, ele ainda ia nas primeiras estacas, pois era mais difícil de montar e depois todos ajudámos. Um dos encaixes de um prumo partiu-se, e então o Cabrita improvisou um com um pau e a ajuda de facas de mato e a lâmina do corta-unhas do Bruno, que ficou ligeiramente torta.

A seguir fomos à receção buscar o material a que tínhamos direito - a cozinha e suas componentes. Eram imensas coisas: um toldo grande, uma mesa e dois bancos compridos para 4 pessoas cada, um fogão com dois bicos, o isqueiro, a bilha de gás, duas frigideiras, um tacho, uma panela enorme, uma espátula, uma concha, um pano de cozinha, uma esponja, uma luva, um alguidar e dois jerry-cans. Fomos ver como outros estavam a montar tudo aquilo para conseguirmos montar o nosso material.

Assim que acabámos, começámos logo a fazer o jantar, que era almôndegas. Havia também manteiga, pepino, cenouras, ket-chup. Fizemos sandes. Para empurrar, tínhamos leite. 

Depois tivemos de decidir quem ia dormir onde. O Zé Inácio e o Cabrita juntos, o Ricardo e o Jaime noutro iglu, a Rita e o Bruno na tenda.

Soubemos pelo Tó que a alvorada era às 6h, todos os dias, e que tínhamos de ir buscar o pequeno-almoço até às 6.30h. Por isso, rifámos os sacrificados para o dia seguinte. Os primeiros sorteados foram o Nuno e o Cabrita. O Tó, chefe do nosso contingente, tinha de ficar a dormir com os outros chefes, noutra zona do campo.

Quando acabámos de jantar fomos lavar a loiça e deitámo-nos, a ouvir montes de gente a falar até às tantas.

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