A chuva continuava e estávamos cheios de sono. Os alarmes dos relógios tocaram pontualmente às 6h, mas, exceptuando o Jaime e o Ricardo, que estavam de serviço, os outros só nos levantámos quase às 7h. Para "meter ordem ao pessoal", o Jaime, seguindo a lista dos sacrificados dia-a-dia, decidiu que ficavam também a fazer as refeições, tem de ter o pequeno almoço pronto às 7.30h, o almoço ao meio-dia e o jantar às 18h. Assim, as coisas ficavam mais disciplinadas.
Ainda que mal dormidos e bem ensonados, fomos para um duche rápido para estarmos prontos para a primeira refeição - sempre de tamanho XL - às 7.30h.
Hoje, o Bruno de manhã foi para o motocross e o Ricardo foi, mais uma vez, acompanhá-lo.
O Cabrita, o Zé e o Jaime, foram fazer balão, o que conseguiram depois de esperarem uma hora e tal. Voaram entre 8 a 10 minutos num balão, recebendo instruções antes da atividade. A altitude atingida não era grande, mas mesmo assim implicou grande coragem, especialmente por parte do Zé Inácio, que tem algumas vertigens.
A Rita foi para o artesanato e fez um leque.
O almoço, desta vez, foi tipicamente coreano. Arroz com alguns ingredientes que não distinguimos bem que, como toda a comida tradicional coreana tem carradas de picante, mas enfim.
À tarde, a Rita e o Bruno, mais o Nuno, foram fazer uma atividade aquática - speed boating. Foram de camioneta até ao cais. Depois de esperarem por licença para entrarem no barco. Uns atrás dos outros, os barcos partiram. Nas primeiras milhas, já se pensava que o barco continuaria na fraca velocidade e que seguia e que o nome da atividade... era só nome. Mas a certa altura, começou a andar mesmo depressa. Como estava calor e estávamos cansados, às tantas já dormíamos. A velocidade, por muita que fosse, já não dava entusiasmo devido à monotonia da viagem, e adormecemos. Se não tivéssemos sono, o entusiasmo poderia ter fundamento. Afinal, estar ali era um momento único. A "navegar" no mar do Japão e a perceber o silêncio da história que aquele mar guarda da guerra e tudo o que ali se passara...
Depois os barcos deram meia volta e regressaram ao cais. A viagem de autocarro foi igualmente na sorna, aliás, não éramos só nós, quase todos dormiam no autocarro.
Uma das atividades obrigatórias do Jamboree era o "Global Development Village". Lá, havia quarente e cinco postos diferentes e cada equipa de cerca de 15 escoteiros tinha de percorrer cinco pontos.
As atividades baseavam-se em educação. Um dos seus principais objetivos era perceber as dificuldades que as pessoas com deficiência encontravam na vida, havendo para isso atividades específicas. Além disso, previa-se uma educação à cerca dos perigos que o Planeta Terra vive; adolescência e educação sexual; prevenção de doenças a que atualmente somos sujeitos, etc.
A Rita e o Bruno foram até lá, mesmo sem bilhete. Mas como não tinham outras atividades para a tarde, foram tentar. Podendo ou não, as sessões já tinham acabado. De qualquer maneira, entraram para ver como era. Foram a um café que era o café francês, e estava lá a Maria Amélia. Ofereceu-nos um café e uma bebida fresca. Ali, naquele local, todos os dias havia um tema e, que lá fosse, escrevia sobre ele e pendurava a sua ideia num placard que lá havia. Naquele dia, o tema era o patriotismo e eles lá evocaram as suas ninfas para fazer sair o assunto do espírito para o papel.
A seguir saíram com ela e foram fazer uma visita à tenda do Brasil, mas depois como já era tarde, ela teve de regressar ao seu campo.
Na tenda brasileira, depois de mais café e conversa, convidaram todo o contingente português para, nessa noite, às 18h, irmos a uma festa joanina (de São João, tipo santos, tradicional brasileira).
Na volta para o campo encontrámos os Jaime, o Zé Inácio e o Cabrita, que vinham frustrados do "não disfrute" da tarde deles - de manhã, tinham tentado fazer motocross, mas só deixaram o Cabrita fazer, porque a atividade não era para chefes. Ao princípio da tarde, a única coisa que lhes valeu foi a visita ao campo do contingente brasileiro. Depois foram tentar andar de ultraleve e não conseguiram e a seguir foram tentar Challenge Valley - que é uma pista de obstáculos e estava fechada.
Voltámos todos para baixo. Encontrámos pelo caminho o António, que disse que precisava de dois escoteiros fardados para irem à recepção de Israel. Como o Bruno e a Rita estavam fardados, foram. Havia um "percurso" na recepção. A primeira paragem era do muro das lamentações, e cada escoteiro que passava por ali deixava uma mensagem. Depois era uma banca de comida onde davam um prato típico israelita. Uma espécie de almôndegas, salada e um puré esquisito mas que, misturado com o resto, caía bem. Depois experimentámos o pão que, em vez de feito em formato de bolo, é feito em formato de panquecas. No fim, ficámos a falar com os chefes que por ali passavam. falámos com um chefe alemão e com o secretário do Bureau internacional.
O jantar foi hamburger no pão. Quando arreámos a bandeira e cantámos o hino, muita gente tinha-se juntado no pórtico, de boca aberta a olhar para nós e a ouvir-nos. No fim, bateram palmas. Modéstia à parte, cantávamos o hino muito bem.
Depois da cerimónia fomos à tal festa joanina. No caminho da ida, o Cabrita perdeu a tampa da objetiva da máquina fotográfica. O resto do grupo foi andando enquanto ele procurava a tampa, sem resultado. Ele não sabia o caminho para lá, mas como o resto do grupo calculou, ele lá chegaria pelos seus próprios meios. E assim foi.
A festa começou com uma dança típica brasileira. Havia uma fila de rapazes de um lado e à frente, uma de raparigas. Depois, à voz do "mestre", iam fazendo o que ele dizia. Ora dançavam, ora andavam à roda, ora faziam rodas, ora tornavam às filas. Depois, a música continuou, mas a conversa e os conhecimentos trocados tomaram conta da festa. A acompanhar, pipocas, café brasileiro e quentão. Quentão é uma bebida tipo ponche, mas com o típico saborzinho a Brasil. No fim do convívio, voltámos ao campo para dormirmos.
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