sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

De novo em Moscovo, da Praça Vermelha ao mercado de rua | 17 de Agosto de 1991 - 20º dia de actividade

 Como combináramos, estávamos prontos às 10h. Desta vez, desfardados, já prevenidos para podermos entrar em todos os sítios que quiséssemos visitar sem que pusessem objeções.

Pode dizer-se que o Zé Inácio e o Cabrita estavam ligeiramente mais prontos do que os outros, porque, como acordaram bastante antes do que esperavam, aproveitaram para ir comer. Daí que, enquanto os "cheios" gozavam com os outros, estes ansiavam pela chegada ao MacDonald's. Mas antes de nos dirigirmos lá, fomos ao Hotel Kocmoc, que se lê Cosmos, trocar dinheiro.

O Bruno estava cheio de dores de cabeça. Agora rico - porque tinha guardado os rublos noutro sítio que não a carteira que perdeu em Seul - surgia-lhe outro problema. As dores de cabeça deviam-se certamente à febre, o rapaz fervia. O Cabrita insistiu que o melhor era "sopas e descanso" mas como não devia ser muito provável ele conseguir sopa por ali, e como descanso só ao fim do dia, ficou-se por uma aspirina que o Tó tinha trazido e pela comida do MacDonald's que, em parte, faziam esquecer as mudanças de temperatura.

O Hotel Kocmoc, que deve ser o grande hotel de Moscovo, apesar da aparente excelência da arquitetura, não falando dos preços, que devem exceder os 150 Dollars a diária, soubemos que o papel higiénico não era melhor do que o do nosso hotel. Por isso, viva o papel higiénico áspero português que, ao pé daquele, pelos vistos único na Rússia, era o rei da suavidade. Depois de trocarmos dinheiro, saímos em direção aos palácios subterrâneos, o metro. Lá fizemos o "sacrifício" de pagar 0.75 Rublos para podermos entrar. Mais uma vez, descemos as enormes escadas rolantes da estação, reparando nas caras aparentemente passivas dos russos. Fizemos a viagem de metro até à estação mais perto do MacDonald's maior do mundo. Desta vez a fila para a entrada estava mais pequena e demorámos menos de 20 minutos para entrarmos. Comemos, comemos e comemos até ficarmos com o estômago bem cheinho de trabalho até à hora do jantar.

O destino da tarde foi o Kremlin e a Praça Vermelha. Havia centenas de pessoas a olharem para o túmulo de Lenine e, provavelmente, à espera para entrar. Quando foi o render da guarda, havia atropelamento de gente para ver aquilo que se podia confundir com bonecos de corda, só que em tamanho humano e sem corda nas costas.

A bandeira vermelha lá estava erguida, mal sabíamos nós que pelas últimas vezes. Vimos também muitas estátuas inteiras. 

O fim da tarde passámo-lo no mercado de Moscovo que é uma rua em pedra, só para peões e carros de venda, que atravessa algumas vias automóveis (como a Rua Augusta). O comprimento do mercado deverá exceder os 2km. Mais ou menos a meio, havia um grupo de russos a cantar e a dançar. O que diziam, imaginámos que fosse escárnio em relação à política. Havia um refrão e os cantos pareciam improvisados. Não sabíamos porquê, mas também ríamos com os demais espetadores. No mercado denotavam-se bem os traços culturais.

Os brasileiro que esteve connosco da outra vez que passámos por Moscovo, tinha-nos dito que havia um restaurante espanhol onde se comia muito bem e onde não se pagava muito. Afinal, dava-nos jeito, depois de andarmos constantamente a comer hamburgers. Mas afinal não era bem assim. Esperámos bastante tempo para percebermos como funcionava o restaurante e não compensou de forma alguma. Cansados, o Bruno com febre, fomos outra vez para o MacDonald's. Estavam quase a fechar, mas ainda entrámos. Também era o que faltava! Depois de comer, fomos para o hotel, para tomar banho frio e dormir.

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