Era inacreditável. Como - infelizmente - o tempo passara tão depressa. Por mais bem que cada um de nós tivesse aproveitado cada momento da atividade, sentíamos que tinha passado tudo muito depressa e agora... estava a chegar ao fim. Este dia amanheceu ainda com mais Sol e com o calor a aumentar minuto após minuto. Mas, mesmo com o calor e com o Sol, a falta de horas de sono já pesavam e, a muito custo, lá nos levantámos, sendo o Jaime e o Ricardo os mais madrugadores do dia.
Pelo atraso que o sono e a moleza no banho trouxeram, só começámos a tomar o pequeno-almoço às 7.50h. Desta vez, ainda mais comida do que o costume. Em vez de ovos, veio macarrão, ficámos logo cheios. E mesmo assim, sobrou, porque gostamos de variedade e quisemos comer os corn-flakes, a fruta e os croissants.
Às 8.30h, foi o hastear das bandeiras e respetivos hinos. Desta vez, os outros dois contingentes, que nem sempre se apresentavam fardados, estavam bem fardadinhos. Como nós, claro.
Entretanto chegou o Tó. Depois da cerimónia, fomos tirar fotografias em frente ao mastro, os três contingentes juntos. O Tó foi quem tirou todas as fotografias e estava com mais de 15 máquinas ao pescoço, braços e mãos. Para facilitar as manobras fotográficas, pousou-as todas num saco-cama e foi tirando as fotografias conforme as preferências dos donos das máquinas.
A seguir fomos para o pórtico do sub-campo tirar mais fotografias. Todos juntos, de contingentes separados, AEPs, CNEs, e todos juntos outra vez.
Depois voltámos ao nosso campo e começámos a arrumar as mochilas. O Jaime, entretanto, foi saber quando é que se recebiam as especialidades do Jamboree. O Cabrita e o Zé Inácio foram dar uma volta. O Jaime, a Rita, o Ricardo e o Bruno ficaram a preparar as lembranças de Sintra para os vários países de todo o sub-campo. Depois da preparação, a distribuição. E assim completámos a manhã.
O almoço foi hamburgers.
Depois de comermos, continuámos nas arrumações. Às 18h tínhamos de ter tudo pronto e havia ainda bastante que fazer. Depois de ter as nossas mochilas mais ou menos arrumadas, desmontámos e arrumámos as tendas, e desmontámos a cozinha. Desmontámos também as cercas do campo e do mastro. Entretanto, a Rita e o Bruno foram despedir-se do Antoine. Quando se levaram os troncos das construções desmanchadas para o pórtico do sub-campo, o Jaime foi buscar os distintivos para o Ricardo, a Rita e o Bruno.
Depois de tudo feito, fomos tomar banho e arrumar as últimas coisas nas mochilas.
Às 18h em ponto veio a camioneta que nos ia levar as bagagens. As nossas mochilas iam para a tenda do Brasil - ao pé da grande arena - onde depois da cerimónia de encerramento as iríamos buscar.
Despedimo-nos dos nossos companheiros do "troop", trocando moradas, telefones, abraços e beijinhos e fomos para a entrada do sub-campo. Lá, tínhamos de dar o testemunho da nossa saída ao organizador. De seguida, despedimo-nos do Chefe de Sub-campo e partimos.
A cerimónia de encerramento só começava às 20h, e tínhamos tempo. Portanto, cada um foi despedir-se dos seus amigos e combinámos encontrar-nos na tenda do Brasil às 19.15h. Quando lá estávamos todos, fomos comer ao Restaurante Wendy's que havia lá. O pobre do Bruno (que perdera a carteira na torre de Seul e que tinha agora pouco dinheiro, deixou cair parte da comida quando se dirigia para a mesa com o tabuleiro recheado de hamburgers, batata-frita e coca-cola. Mas acabou por comer decentemente, graças à "piedade" dos outros.
Assim que acabámos de jantar, fomos de imediato e bem depressa para a arena. Chegámos lá, já estava cheia, mas como nós éramos poucos, pusemo-nos lá para o meio sem problemas.
No princípio da cerimónia, houve exibição de alguns países, entre eles, a China, que apresentou a dança do Dragão; o Zimbabwe e o México também apresentaram danças.
Havia um pequeno problema com o som e a imagem dos écrãs de lado do palco, que se resolveu a meio da cerimónia, mais ou menos.
De seguida, fez-se uma contagem decrescente, simbolizando o princípio do fim do Jamboree. Com o ZERO, foi lançado muito fogo de artifício e contou-se a música do Jamboree, acompanhada de aplausos. Posteriormente deu-se a entrada de todas as bandeiras. Para nossa felicidade, a Portugesa estava na fila da frente, bem no meio, ao pé da bandeira coreana. À frente das bandeiras desenvolviam-se danças coreanas de várias escolas do país.
A seguir fez-se silêncio. Falou o chefe dos escoteiros coreano e o Rei da Suécia, que participou no Jamboree. Depois dos discursos, fez-se a entrega da chama do Jamboree aos Holandeses. Atrás dos escoteiros que fizeram a entrega/recepção da chama, estava uma fila de escoteiros holandeses que suportavam um cartão com uma letra. Todos juntos formavam a expressão: "Welcome Holland".
O encerramento continuou. As bandeiras saíram por um corredor que seguia pelo centro do público formado pelos escoteiros ingleses. Surgiram cinco enormes balões - cada um com várias bandeiras pintadas - simbolizando os cinco continentes, que foram levados até ao palco, onde se encontrava um sexto balão com mais ou menos 3 metros de altura, simbolizando o planeta Terra. Um dos "continentes" não conseguiu chegar ao palco porque furou-se a meio do caminho. De qualquer maneira, já no palco, os outros "continentes" foram presos à Terra e lançados ao ar. Depois do lançamento, houve muito fogo de artifício. Fogo de artifício, assim, provavelmente nunca mais iríamos ver. Foi um autêntico espetáculo de luz. Segundo o Bruno, "punham os Jogos Olímpicos a um canto", daí que se pode imaginar a singularidade da situação.
Quando percebemos que a festa tinha acabado, cada país agitava a sua bandeira o melhor possível. Nós fizemos uma pirâmide humana com o Bruno e a Rita em cima a segurarem a bandeira. Mas, como todas as pirâmides humanas acabam por cair, nós não fugimos à regra e caímos também.
Entretanto, chegaram os nossos colegas Faroe Islandeses e depois chegou o nosso amigo belga, que quis segurar na bandeira, e o francês, que vinha despedir-se de nós. Mas depois vieram todos para o palco. Havia muita música do conhecimento geral de todos. O Jaime e o Bruno, que estiveram às cavalitas do Cabrita, aleijaram-se um tanto ou quanto com os saltos que este dava. Estavam ali escoteiros alemães, coreanos, etc. As despedidas eram sucessivas e pareciam não acabar. A festa era de alegria e ficava a promessa do reencontro na Holanda - nem que fosse em espírito, caso as possibilidades económicas escasseassem.
De repente, vinda não se sabe bem de onde, surgiu uma enorme cana, que era passada de escoteiros para escoteiros. Pegámos nela e prendemo-la ao nosso mastro de forma a ficar a bandeira mais alta. De seguida, o Bruno subiu ao mastro. A "população" parava para ver e ele ia subindo, subindo, até que caiu, segurando o mastro. Graças ao facto de estarmos todos a ver, só um escoteiro menos atento sentido a cana na cara, mas felizmente não fez nenhum ferimento grave, só de raspão.
Entretanto, a música parou, as pessoas foram-se despedindo e saindo da arena aos poucos. Depois, fomos para a tenda do Brasil esperar pelo autocarro que nos ia levar ao aeroporto. A Rita, que desaparecera, apareceu e depois ainda se foi despedir dos escoteiros de Faroe Island e desapareceu outra vez.
À meia-noite, o autocarro surgiu, mas o mesmo não aconteceu com a Rita. Ainda que estivesse ao lado de uma das tendas ao pé da do Brasil, não viu o grupo passar para o autocarro. Às 00.20h, o Zé Inácio lá a encontrou e foram todos para o autocarro. Aquando da espera pela Rita, o motorista irritou.se "um bocadinho". Assim, o autocarro só partiu às 00.30h. A hora prevista para chegarmos ao aeroporto era às 6h.