Quando acordámos descobrimos que, mais ou menos ao pé de nós, tinham dormido também escoteiros mexicanos.
Tomámos banho e, mais uma vez, comemos farinha de chocolate pensal feita com leite em pó.
Como íamos nas calmas no caminho para a estação, demorámos um bocado a fazer os 2km, a que nos acostumávamos, dia após dia.
Já não era muito cedo e nós estamos sempre com fome. Então, quando chegámos a Seul fomos almoçar ao Wendy's. Começávamo-nos a fartar um bocado de hamburgers, mas ao mesmo tempo que nos fartávamos, habituavamo-nos à rotina.
A seguir ao almoço andámos às voltas e tirámos bastantes fotografias. Às 15.30h fomos para o Hardeis (?) onde tínhamos combinado. O caminho para a casa do embaixador ainda era longo e andámos a pé um bom bocado para além de duas carreiras que tivemos de apanhar.
Depois das apresentações ao Embaixador, fomos comer. Havia muito que comer - salada de frutas, mousse de chocolate, sandes de queijo e de presunto, salgadinhos, bolo de chocolate, sumos frescos, café gelado, etc.
Acalmado o estômago, começaram, em maior força, as palestras, chamemos assim. Tivemos uma conversa bastante interessante com o Embaixador, que esteve a contar-nos muitos aspectos culturais da Coreia do Sul. O aspeto que ele mais acentuadamente focou foi o facto de se estar a perder alguma cultura que havia antigamente, na Coreia. Mas este tipo de aculturação, feita principalmente pelos americanos que têm uma base militar, nem por isso tem feito muito melhor ou pior ao povo coreano. O povo das aldeias e do campo não tem sentido mudanças, segundo ele, pois continuam com a sua casinha, a sua cultura de arroz, sem muitas influências urbanas. Muitos há, no entanto, que saem do campo para a cidade, em busca de uma vida menos cansativa; mas, como em todo o lado, perdem bastante com o êxodo. Continuando, antes da vinda dos americanos e consequentes influências, não havia roubos e existia muito pouca marginalidade. Houve um crescimento muito acentuado de Seul - neste momento a cidade e arredores englobam cerca de 18 milhões de pessoas - crescimento este que contribuiu consideravelmente para a existência de algum "fora da lei". Em relação à vida na cidade, as pessoas são menos simpáticas do que as do campo - no campo não há tanta competitividade relativamente àqueles que vivem na cidade e arredores.
Falando do povo em geral, são muito amigos uns dos outros, havendo no entanto alguma desconfiança entre eles. Dentro do mesmo sexo e apenas como prova de amizade, andam abraçados ou de mão dada, facto que seria logo mal visto por muitos portugueses e outros povos ocidentais.
Um factor de difícil aceitação da nossa parte relativamente à cultura coreana, é a maneira como são feitos os casamentos e a vida dos casais (é uma generalização, mas pronto). Os casamentos são arranjados por casamenteiros. As pessoas namoram com quem quiserem, mas quando chega a altura do casamento, têm de casar com fulano de tal e pronto. Com isto, muitos homens e mulheres coreanas são tristes. A mulher é quem manda em casa, e o marido trabalha. Depois, parece mal se o homem não chegar tarde a casa. Mesmo que não queira, a mulher manda-o dar uma volta e só lhe abre a porta a partir de determinada hora. Assim, o homem, sem muito ou nada que fazer, embebeda-se.
Outro factor relevante é a religião. Em primeiro lugar, é importante sublinhar que a religião é a base da cultura. A religião com mais crentes é o Budismo, que foca em três princípios básicos: a disciplina, a organização e a concentração. Depois, como a Coreia é muito aberta às influências exteriores, foi o país do oriente onde o cristianismo teve mais aceitação.
A Coreia é, já de si, um país com uma cultura muito aberta às outras culturas, pois durante séculos e séculos não tinham nada de fora, só da China. Como disse o Embaixador, "as influências culturais partem dos arredores do país [países vizinhos] e daqueles que cá vêm."
Como já estava a ficar tarde para nós, embora fosse interessante, tivermos de acabar a conversa. Fomos ainda tirar fotografias - daquelas do género das de família - ao pé da bandeira portuguesa e ficou combinado que no dia 5 iríamos todos visitar a aldeia folk.
Depois saímos, juntamente com a Mónica e a Isabel. Elas perguntaram se nós queríamos conhecer o sítio onde os jovens universitários se juntavam à noite, que eram umas ruas num bairro em Seul. Lá fomos de metro e de autocarro para o local, onde jantámos, num restaurante. Como a comida era muito picante, pediram aos cozinheiros para não por tanto, mas continuava bastante picante, principalmente umas lulas e respetivo molho. Gostámos todos muito de uma espécie de Pizza, do arroz, e da água. E de uma bebida, cerveja ou licor de arroz? que cheirava muito a álcool, mas que até não parecia muito alcoólica.
A seguir ao jantar, quando passeávamos nas ruas daquele bairro, reparámos que os grupos de jovens se reuniam em círculos, sentados à chinês ou sentados sobre os pés. Vimos um grupo de músicos a ensaiar para um espetáculo de amadores que ia haver dali a duas semanas. Era um som muito forte, provocado principalmente por tambores. Numa pequena arena, estava um cantor a cantar "La Bamba", algo que não esperávamos. As duas funcionárias da Embaixada vão habitualmente para ali, mais ou menos uma vez por semana.
Regressámos de metro e de autocarro para a estação e despedimo-nos da Mónica e da Isabel. Antes de irmos para o campo de formação, passámos por um supermercado, onde comprámos o pequeno-almoço do dia seguinte. Fizemos o habitual caminho de volta de camioneta, mais os 2km, e quando chegámos, fomos logo nos deitar.
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