terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Hamburgers por todo o lado e compras no mercado | Dia 2 de Agosto de 1991 - 5º dia de atividade

 Tinha chovido a noite toda e às cinco e tal da manhã o Zé Inácio acordou todo molhado. Então vestiu-se todo e deitou-se noutro sítio da tenda. Depois dormimos até perto das 11h. Muito à vontade com o tempo, tomámos banho, lavámos meias e tal, depois, como estava a chover fizemos o pequeno-almoço ao pé de uma garagem por baixo da sede. Tivemos uma certa dificuldade em fazer o pequeno-almoço porque os cachorrinhos estavam sempre a querer cheirar. Comemos, ao meio dia e tal, farinha Pensal feita com leite em pó, e juntámos à refeição bastante do pequeno-almoço que o chefe oferecera no dia anterior.

Para a paragem de camioneta ainda eram 2km. Embora a circulação fosse pouca, o Zé, o Jaime, o Cabrita e a Rita apanharam boleia de um senhor que não andava a mais do que 30km/h. Devido à velocidade a que íamos, quando chegámos à paragem, não tivemos de esperar mais do que cinco minutos pelo Ricardo e pelo Bruno. Com a ideia da boleia, pedimos boleia na paragem a alguns carros, para ir para Seul. O senhor Yum desaconselhou-nos ao máximo a boleia e não descansou enquanto não nos viu dentro do autocarro. Mas andar de autocarro em Seul é das maiores aventuras urbanas. Os condutores aceleram constantemente e quase que batem. Fartam-se de buzinar e só travam mesmo em cima das paragens. Mas é impressionante como não batem. Têm ótimos reflexos.

Parámos perto da estação e voltámos a dividir-nos. Andámos por ali às voltas e entrámos por uma rua cheia de mercado - com muita cor, muitas coisas, muita gente. Os coreanos que se metiam connosco perguntavam, "Jamboree?" e nós "Yes", e eles: "Where are you from?" e nós, "Portugal". E eles, "Ooh", e faziam a relação ao país com o desporto, dizendo, "Junior Socker" (Portugal ganhara nesse ano o mundial, na Luz), e "Eusebio" e ainda "Lopes, maraton". Ao quinto ou sexto coreano, rendemo-nos ao sotaque porque assim entendiam-nos melhor. 

Tínhamos combinado com os CNEs às quatro e meia para telefonarmos para a Embaixada. Lá fomos, mas antes fomos comer um Hamburger ao "Wendy's" e fomos à "Embaixada" (que agora era nick name para WC). Depois lá nos encontrámos todos com a conselheira do Embaixador. Fomos de autocarro até ao sítio das compras. A conselheira insistia com a "Guida" em comprar uma imitação genuína dum fato de treino da Channel. Nessa tarde, fartámo-nos de andar "nas ruas do comércio", de discutir preços, de discutir preços e, ah, de discutir preços também (acabámos por comprar bastantes coisas, sobretudo coisas típicas coreanas, entre elas máscaras características).

No fim das compras fomos comer ao Mc Donald's Os preços daqui já não eram como os de Moscovo, por um hamburger já pagávamos duzentos e tal escudos.

Regressámos à estação de autocarro. Ficou combinado com a conselheira encontrarmo-nos todos no dia seguinte às 15.30h no Harden's - outra casa de hamburgers, para depois irmos lanchar a casa do Embaixador e falarmos com ele. Saímos na estação e apanhámos outra carreira, para a paragem mais próxima do campo de formação. Fizemos os tais 2km a pé. Quando chegámos, o Mr. Yum estava chateado porque não disséramos que íamos chegar tarde. Mas afinal tinha sido um mal entendido entre o Tó e o Mr. Yum.

Quando fomos para a tenda, o Bruno e o Ricardo andaram ao moshe com os CNEs para adquirirem o resto do pequeno almoço que o chefe nos tinha oferecido. Depois fomos dormir.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Primeiras impressões de Seul | Dia 1 de Agosto - 4º dia de atividade

 Os primeiros a levantar-se foram o Zé Inácio e o Cabrita. Os outros ficaram a comer as bolachas Maria do Ricardo a ver se conseguiam arranjar coragem para se levantarem. Mas combináramos estar prontos às 9.00h para falarmos com o Chefe, e a carrinha vinha buscar-nos para levar-nos ao centro de Seul; portanto tivemos de arranjar coragem. Fomos tomar banho e fazer o pequeno-almoço, que foi Farinha Pensal de Chocolate feita com leite em pó (todos estes ingredientes e das outras refeições em campo foram comprados no Continente no dia anterior à partida). 

Depois de comermos, de lavarmos a loiça e de arrumá-la, fomos falar com o chefe. Ele trazia-nos o pequeno-almoço, mas já não era preciso... De qualquer modo guardámo-lo para outras refeições.

O Chefe perguntou-nos até quando iríamos ficar lá e nós concordámos unanimemente com a ideia do "até dia 7", que foi o que respondemos. Ele concordou, aliás era o dia em que a maioria dos escoteiros iam para Sorakson - o local do Jamboree. 

Ele acrescentou que a carrinha vinha buscar-nos naquele dia, mas não sabia se conseguiria arranjar carrinha todos os dias. 

A carrinha veio. Embora com mais espaço, continuávamos cheios de calor e depois o ar condicionado só funcionava às vezes. Em Seul, ficámos na estação. Primeiro pensámos em andar juntos durante o dia, mas depois o Tó, o Bispo e o Nuno preferiram andar à sua vontade.

Pusemo-nos a pensar um bocado e decidimos ir à Embaixada. Vimos o caminho pelo mapa e pusemo-nos a andar. Pelo caminho passámos pelos correios e comprámos selos e postais. Mandámos alguns e guardámos os selos restantes. Quando chegámos à Embaixada - que era num edifício novo e grande - íamos começar a falar em inglês quando nos dirigiram a palavra em português, bastante bem falado. Perguntámos se podíamos falar com o Embaixador, mas elas responderam que ele não estava. 

Como nós durante estes dias em Seul queríamos conhecer a cidade o melhor possível, pedimos que nos dissessem os sítios mais giros para se visitarem. Entretanto chegou a conselheira do Embaixador. Ficou muito contente com a nossa visita. Viemos a saber por ela os nomes das funcionárias com quem falámos. Elas têm nomes em coreano e em português, para ser mais fácil. A conselheira chama-se Maria Júlia e as funcionárias, Mónica e Isabel. Perguntámos de novo pelo Embaixador e disse-nos que ele ia deixar de ser Embaixador e que estava agora a arranjar as coisas para partir. Depois aconselhou-nos uma data de sítios para visitar.

Como a Rita era muito parecida com uma sobrinha dela que se chama Guida, começou a chamar-lhe Guida. Em vez de escoteiros, chamou-nos escudeiros - sempre. A senhora conselheira era muito despachada e estava contente com a nossa visita. Durante a conversa, falámos de Moscovo e de como era. Reparámos que, em vez de Moscovo, dizia Moscow, e que em vez de URSS dizia USSR, tudo pegado. Eis se não quando, estava a D. Maria Júlia a falar com a Mónica e diz de repente: "É que eu gostava de ir almoçar com eles". Não era por nada, mas era mesmo o que queríamos. Então, acabada a conversa, saímos para almoçar. Seguimos por umas ruas até um belíssimo restaurante ao ar livre. Mandaram trazer pratos que não fossem muito picantes mas havia lá um que picava e muito. Comemos uma sopa gigante que enchemos com arroz que vinha numa tigela à parte; aquilo que picava imenso que não sei descrever, e aprendemos a comer com pauzinhos. À sobremesa comemos melancia. Para disfarçar o picante na garganta, bebemos água, muita água...

A seguir ao almoço regressámos à Embaixada. Falámos sobre os mercados em Seul. A Conselheira disse-nos que, ao preço que nos pedissem, deveríamos dividi-lo por metade, e a partir daí, discutir o preço até ao mínimo. Um pouco mais tarde, enquanto falávamos de coisas sobre Portugal e bebíamos café e comíamos bolachinhas, aproveitámos para ir discretamente, um a um, à casa de banho, que era esplêndida. A partir daí, batizámos todas as casas-de-banho de "embaixadas". 

A combinação final com a conselheira foi que, no dia seguinte, telefonávamos entre as 4h e as 4h30 a fim de combinar encontrarmo-nos num sítio para irmos todos às compras a um lugar onde vão muitos turistas e há muitas imitações "genuínas" e "más imitações" [de coisas de marca] disse ela, perto da base americana em Seul (um mercado que os americanos fizeram ali há três anos).

A seguir fomos ao Museu Nacional de Arqueologia. Tínhamos combinado encontrarmo-nos com o Tó, o Bispo e o Nuno na estação às 17h30 pois a carrinha vinha buscar-nos às 18h, por isso não tínhamos muito tempo para estar no museu. O museu era enorme, com quatro andares. As exposições às quais pode dizer-se que demos apenas uma vista de olhos eram nas salas que circundavam uma sala grande, tipo assembleia, que tinha a altura total do edifício. Foi esse o sítio do museu que mais apreciámos.

No caminho - apressado - do regresso, reparámos nalgumas bancas de venda que vendiam peixe seco. Reparámos num - único - peixe fresco, com grandes cubos de gelo a tentarem manter a frescura do peixe. Ficámos contentes por termos chegado perto da estação, do outro lado da avenida, dentro do horário combinado. Descemos a uma passagem subterrânea e perdemo-nos. Aquilo tinha caminhos por todos os lados. Tentámos um e outros e nunca mais dávamos com o raio da estação. Para ajudar, as tabuletas eram muito elucidativas, todas em coreano, claro. Por fim, e atrasados, demos com a estação. O Tó disse-nos que a carrinha já lá estava há um bocado. Fomos a correr para ela. Connosco, na carrinha, estava também um chefe mexicano que ia ficar no campo de formação.

Quando chegámos ao campo, qual não foi a nossa frustração, quando percebemos que o chefe mexicano ia ficar a dormir dentro da sede. Sentimo-nos um bocado discriminados. Mas também, já estávamos bem instalados na tenda, que era enorme, também não tinha importância. 

Depois fomos tomar banho. Antes do jantar, o Zé Inácio e o Jaime lavaram a camisa. Quando  Zé ia estendê-la, chegou o Mr. Jun e, entre mímica, conseguiu convencer o Zé a encharcar a camisa e a segui-lo. Era para metê-la na máquina de secar! 

Comemos o mesmo que no dia anterior, mas estava melhor - parecia que nos habituávamos bem às comidas de pacote. Estávamos com grande pedalada para falar e o Jaime, o Cabrita e o Zé Inácio, juntamente com o Tó, o Bispo e o Nuno, ficaram a contar as suas aventuras e desventuras das descidas e subidas de rios que já fizeram. 

Deitámo-nos às 23h30.

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

De Moscovo a Seul | Dia 31 de Julho de 1991 - 3º dia de atividade

Quando já sobrevoávamos a China, vimos ao longo de bastante tempo, a muralha. Durante a descida a Xangai, o piloto andava às voltas com o avião, e havia muitos poços de ar. Em Xangai parámos durante uma hora e meia. Durante a paragem, surgiu um nevoeiro esquisito do teto do avião. Achámos aquilo um bocado estranho (por inexperiência), mas lá nos habituámos. Infelizmente não pudemos sair. Assim, ficámos dentro do avião, a gozar a cena que se passava lá fora - nas pistas acessórias podiam observar-se pessoas a andar de bicicleta na maior das calmas, como se nada fosse. Penso que em nenhum outro aeroporto se lembrariam de deixar pessoas a circular de bicicleta [poderiam ser trabalhadores, mas nada o indicava claramente] pelo aeroporto fora.

No princípio da segunda parte da viagem (a seguir a mais poços de ar e tentativas de sair dali), ouvimos e aplaudimos músicas que os Bolivianos cantavam. Depois, uma rapariga coreana de 16 anos que o Ricardo conhecera no avião, foi lá ter connosco onde estávamos sentados e ensinou ao Ricardo o abecedário coreano e algumas expressões coreanas. Já no fim da viagem, tivemos de preencher um formulário que era obrigatório entregar no aeroporto de Seul. Fez-nos impressão como estávamos já às 17.15h de Seul do dia 31 de Julho! Custou-nos a habituar.

Ao contrário das expressões duras dos russos, aqui os coreanos sorriam e cumprimentavam-nos com alegria [creio que muita gente estaria informada do evento internacional]. Reparámos na sofisticação do aeroporto. Quando chegámos ao sítio onde tínhamos de mostrar os passaportes, além dos inúmeros anúncios ao Jamboree, estava lá um escoteiro com uma tabuleta na mão a dizer Portugal. Começámos a sentir uma organização extrema que nos fez sentir bem. O escoteiro falava inglês e ajudou-nos a preencher o resto dos formulários. A seguir a mostrar o passaporte fomos buscar as mochilas. Este escoteiro, e outro que o acompanhava, oferecia constantemente carros de carga, pois achou-nos demasiado carregados com aquelas mochilas. De seguida fomos trocar dinheiro. Aqui as contas com dinheiro também eram fáceis. Era só dividir por cinco. Um Wouwn é equivalente à quinta parte de um escudo - vinte centavos [4 cêntimos de euro]; ao contrário de um rublo, que vale 5 escudos. Era fácil, portanto.

À saída do aeroporto, tínhamos uma carrinha só para nós, que ia levar-nos até um campo de formação de escoteiros, a 30km do centro de Seul. Assim que saímos para o exterior, parecia que tínhamos entrado numa piscina coberta. O céu estava coberto de nuvens e estava muito calor e muita humidade. Colocámos, com algum custo, todas as bagagens e toda a gente na carrinha. Mesmo com calor e suores, estávamos cansados e dormitámos um pouco.

O campo de formação de escoteiros ficava nos subúrbios da cidade, bastante isolado e ao pé de um campo de golfe e de um campo de arroz. O edifício da sede imitava uma tenda. Tinha uma sala grande assim que se entrava, com uma mesa de reuniões. À volta desta, podiam observar-se bustos de figuras importantes do escotismo coreano e posters de acampamentos. Mais perto da entrada e à esquerda, havia um balcão com coisas do Jamboree à venda. Depois ao pé havia uma porta que dava para o escritório do presidente. Do outro lado havia um grande refeitório e outras salas. Estivemos a falar com o chefe e conhecemos o senhor que tomava conta daquilo - o Se. Yum, uma figura caricata, com quem aprendemos várias coisas e nós também lhe ensinámos, apesar de ele não saber falar inglês.

Deram-nos duas tendas grandes. Uma ficou para os CNE e a outra para nós. O Jaime, o Zé Inácio e o Cabrita ficaram a montar a tenda, enquanto o Bruno, o Ricardo e a Rita ficaram nas escadas do edifício da sede. Entretanto, começou a chover, mas até soube bem. As mochilas, que tinham ficado à porta da sede, foram carregadas pelos três mais novos. A seguir brincámos com um cachorrinho que lá havia.

Depois de tudo arrumadinho, fomos tomar banho. O banho frio soube bastante bem, mas com a humidade e o calor, passados cinco minutos, apetecia-nos mais um banho. A seguir fomos preparar o jantar. Ao pé dos balneários e das casas de banho (que além de não serem limpas há bastante tempo, tinham uns besouros horrorosos) havia um chafariz e uma mesa. Foi aí que preparámos o jantar e a maior parte das outras refeições no campo de formação. O nosso jantar foi arroz à valenciana, daquele de preparação instantânea. Depois do jantar e de se ter lavado a loiça, fomo-nos logo deitar.  

terça-feira, 26 de outubro de 2021

Moscovo | Dia 30 de julho de 1991 - 2º dia de atividade

 Às 8.45h já estava tudo pronto, exceptuando o Bruno e o Ricardo, que ainda dormiam. Acordámo-los e fomos lá para baixo esperar por eles. Como nunca mais apareciam e porque já podíamos ir tomar o pequeno-almoço, lá fomos andando para o local das refeições, que não era no hotel. Entrámos num edifício que fazia lembrar um bar antigo. Tínhamos de seguir para o primeiro andar e era aí. Ao fundo da sala havia um pequeno palco; as mesas eram para quatro pessoas e havia uma divisória em azul entre as mesas. 

O pequeno almoço não era muito bem o que esperávamos, mas como também não sabíamos muito bem o que esperar... e era assim: tínhamos um pires com bastantes fatiazinhas de pão, só que o pão sabia a pão do dia anterior; depois, para cada um, tínhamos um pirezinho com três fatias de tomate, quatro pequenas fatias de carne assada, duas de queijo e um cubinho de manteiga. Ao centro da mesa estava uma taça de alumínio com doce de gila lá dentro. Para beber, tínhamos café, cujo açúcar levou o tempo do pequeno almoço inteiro para se dissolver, e tínhamos água.

Entretanto chegaram o Ricardo e o Bruno, que tiveram de comer à pressa. Quando estava tudo pronto, partimos. Íamos todos em massa: nós, o António, o Luís e o Nuno, e o surfista brasileiro mais a rapariga japonesa e a mãe.

Fomos em direção à estação de metro mais próxima. Ficámos admirados com o preço do metro, o,75$! Seguimos para as escadas rolantes. Outra admiração: para além de andarem muito depressa, eram enormes, uma eternidade, por ali fora... Finalmente, chegámos lá a baixo. O cais da estação era enorme e muito decorado. Íamos para o centro da cidade, mas as indicações estavam todas em russo... Dentro dos possíveis, desenrascámo-nos. Decidimos que íamos parar quatro estações a seguir. O metro era enorme, tão grande como a estação, para aí do tamanho de um comboio da linha de Sintra. Não estava muito cheio, mas também não dava para irmos sentados. Antes de chegarmos a cada estação, as luzes apagavam e acendiam. Quando chegámos ao destino, subimos umas escadas rolantes idênticas às primeiras e saímos da estação.

Queríamos ir ao Kremlin e então pusemo-nos a caminho. Enganámo-nos algumas vezes, tivemos de atravessar várias passagens subterrâneas, mas lá chegámos. Havia fila para entrar e nós pusemo-nos no nosso lugar. Só que quando chegou a nossa vez, não nos deixaram entrar por causa dos calções, ou não sei quê... mas nós achámos foi que estavam a embirrar com a farda. O Luís Bispo sugeriu que fôssemos 'num instante' ao Hotel, por uma roupita à civil, para podermos visitar este tipo de coisas. O Jaime achou que não, dizendo que seria melhor visitarmos outras coisas e que, quando regressássemos da Coreia, porque até teríamos mais tempo de escala, púnhamos então a roupa à civil para visitarmos aquilo e outras coisas onde não nos deixassem entrar uniformizados. Após alguma discussão, lá ficámos de acordo que não íamos ao hotel, se não então é que não víamos nada. O surfista e as japonesas entraram porque podiam e porque não tinham outro dia. Despedimo-nos e seguimos o nosso caminho.

Então, fomos mais ou menos por onde todos ou muita gente estava a ir, e fomos parar a um centro comercial que, de fora, aparentava ser uma estação de comboios. À entrada havia uma loja da Benetton. Alguns de nós entrámos para ver os preços e era tudo em dólares; para se pagar em rublos tinha de se mostrar o passaporte, uma confusão; de qualquer maneira concluímos que os preços eram idênticos aos de Portugal, ou seja, nada de adaptação ao custo de vida local.

Entre a admiração que outras montras nos causavam - por exemplo 3 rublos (15 escudos) por um vestido com ar de muito antigo - procurávamos um café. Quando finalmente descobrimos um, descobrimos também que o que as pessoas comiam (em pé) ao almoço era idêntico ao que comêramos ao pequeno almoço (talvez vagamente pior). Conseguimos então fazer um resumo às nossas descobertas e conclusões. É que ali, embora fosse tudo demasiadamente barato, era também demasiadamente precário, tendo em conta os nossos hábitos.

Demos mais uma volta ao "shopping center" de Moscovo e saímos em direção ao Mc Donald's. Pelo caminho (que ainda era grande) descobríamos a pouco e pouco como se lia russo, ou seja, que correspondência tinham as letras cirílicas em letras do "nosso" alfabeto. Tínhamos começado a brincadeira no dia anterior, mas agora estávamos num clímax de descobertas. Chegados finalmente ao local, deparámo-nos com uma enorme fila que tinha a largura de 4 a 6 pessoas e o comprimento era de uns 150 metros reais, mas que aparentava uns 400. Apesar da grandeza da fila, até andou depressa. Em 25 minutos estávamos na entrada do maior Mc Donald's do mundo. Entrámos. Como havia muitas caixas, despachámo-nos depressa até chegar ao balcão. Quando estávamos mesmo a chegar ao balcão, houve alguém que tentou abrir a bolsa do Jaime, e até abriu, mas o Jaime deu por isso a tempo e, antes que o indivíduo pudesse tirar alguma coisa, deu-lhe um safanão para trás.

Reparámos então no preço das coisas. Com a fome com que estávamos, até pagávamos mais ou menos o que fosse preciso. Mas não foi preciso contar o dinheiro, pois era muito barato. Era proporcional ao preço dos vestidos que tínhamos visto antes. Para uma ideia do preçário deste Mac Donald's, Um Big Mac, que é um hamburger com imensas coisas, o maior, custava 9 rublos, 45$ [0.22€]. Nunca nos passou pela cabeça comer um hamburger daquelas proporções por tão pouco. E por aí adiantes. Uma coca-cola eram 10$, um batido 17$50, tudo assim. Comemos "que nem uns porcos". Éramos ricos em Moscovo! Pelo menos para comer no Mac Donald's. Enfim. Fartámo-nos de comer, enchendo o estômago até acima.

Depois de muito debatermos o que fazer a seguir, decidimos ir aos correios, mas o Zé Inácio e o Cabrita quiseram ir comprar rolos para a máquina. É que se os preços fossem do género dos que encontrámos no Mac Donald's, valeria a pena. Combinámos por isso às 16h30 todos, às portas dos correios.

O posto de correios era um edifício bastante grande, mas já antigo, que fazia esquina com a avenida principal e uma acessória. Quando se entra, depara-se com um grande Hall, onde há um marco para se deitar a correspondência. Depois há duas salas principais - uma à esquerda e outra à direita. A da esquerda é onde se pagam os impostos, contas e onde se fazem os telefonemas. A do lado direito é onde se faz a parte da correspondência: telexes, telefaxes, telefonemas e telegramas, cartas e postais. Fomos então mandar um postal para os familiares e amigos. Por cada postal pagávamos 5$ e por cada selo, mais 5$. Que roubalheira, não?!

Ainda duvidámos da frequência com que são feitos os voos com a correspondência, ou o número de vezes que tiram a correspondência do marco, mas soubemos mais tarde, quando o Jaime telefonou aos pais, que tudo correra normalmente, sem atrasos, contrariando a nossa ideia pré-concebida.

Às 16h30, como tínhamos combinado, a dupla Zé Inácio e Cabrita não estava ali. Tínhamos de seguir para o Hotel, porque o autocarro para o aeroporto era às 18h, mas eles nada de aparecerem. Então, lá fomos para o Hotel, baseando as nossas esperanças na capacidade de desenrasque dos outros dois. Meu dito, meu feito! Quando, já no Hotel, esperávamos pelo elevador, apareceram os dois, fresquinhos que nem umas alfaces!

Fomos tomar um banho e despachar-nos depressita. Enquanto esperávamos o autocarro, apareceu o brasileiro mais a japonesa mas sem a mãe (segundo ele, ficou a dormir) e iam os dois para o Hotel Cosmos. Duvidámos ironicamente da situação.

Agora tínhamos um "pequeno problema". Sobravam-nos imensos rublos e é proibidíssimo levar a moeda russa para fora do país. Depois de pensar nos mais variados sítios para os esconder, concluímos que seria mais seguro não os esconder demasiado, para que não desconfiassem, caso descobrissem. Desde que não estivessem na carteira, que era o sítio mais provável se ser revistado, nem na nossa testa ou num bolso em que pudessem cair, tudo bem.

O autocarro veio e fomos a caminho do aeroporto. Infelizmente, o motorista deixou-nos no terminal errado. Mas nós sabíamos lá. Saímos e tirámos as bagagens, todos contentes da vida. Entretanto, o Tó soube que aquele era o terminal errado. Então, como não tínhamos muito tempo até ao voo, tivemos de ir de Taxi até ao outro terminal. O taxista cobrou-nos 10 dólares. Espero que tenha feito bom uso... À chegada ao terminal certo, antes de pagarmos, quisemos ter a certeza de que era aquele. E era. Pagámos, ainda que de má vontade, e entrámos no aeroporto. 

Tivemos de preencher mais uma declaração dos nossos bens e mentir à cerca do dinheiro que levávamos. Mas não queríamos arriscar trocar dinheiro outra vez e ficar outra vez sem uma parte dos dólares; além disso precisávamos dos rublos no regresso.

Nós levávamos um saco grande com as tendas e as recordações de Sintra para dar e trocar lá no Jamboree, e a empregada quis ver o saco, abriu-o, e retirou algumas das recordações. Bem, o melhor era não discutir, e lá seguimos. A seguir ficámos uma data de tempo para nos verem os passaportes. Para já, estava uma fila enorme, e depois, o funcionário que fazia a revisão, demorava muito, estamos ainda hoje sem saber bem porquê. Chamamos-lhe o eficiente, não contando outras críticas "positivas", mas ele nem pestanejou.

Quando já todos tínhamos passado pela tortura de tempo infinito a mostrar passaportes, a hora do voo também já tinha passado. Mas pareceu-nos que ali ninguém estava muito preocupado com as horas. Encontrámos escoteiros bolivianos que iam connosco até Seul. Entretanto chegou o autocarro que nos ia levar ao avião, já na pista. Fomos entrando, entrando, mas cortaram a entrada precisamente no Cabrita. Podiam tê-lo deixado passar, não? Estávamos todos vestidos de igual, e era natural ele vir connosco naquela leva de autocarro. Mas não. Lá ficou, esperando que o autocarro voltasse vazio para o levar, mais aos restantes passageiros.

Este avião tinha melhor aspecto do que o anterior. Partimos às 20.55h. Depois da emoção da descolagem e de algumas curvas apertadas, seguimos o azimute até Xangai, onde faríamos escala, sem sair do avião, para seguir para Seul. Tentando ultrapassar o tempo, o avião seguia um rumo mesmo entre o Sol e a Lua; estávamos mesmo entre o dia e a noite, o que fazia uma luz maravilhosa em todo o céu.

O jantar não foi muito diferente da outra refeição. Diferia na comida quente - hamburger, arroz e ervilhas, mas sem bolo. Como era um voo grande, a viagem deu para muito, principalmente para dormir.

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

Lisboa-Moscovo na Aeroflot | Dia 29 de julho de 1991 – 1º dia de atividade

Esquecendo a última semana de total azáfama, de todos os preparos (primeiros e últimos) para a atividade que nos esperava; neste dia 29 de julho, a representação portuguesa no Jamboree da Coreia do Sul ia chegando aos poucos à agência de viagens da Aeroflot (companhia de transportes aéreos soviética).

A Rita e o Jaime chegaram lá primeiro, às 8.45h. Um pouco mais tarde chegaram, quase ao mesmo tempo, o Bruno e o Ricardo, que vinham da Costa da Caparica e de Cascais, respectivamente. A seguir chegaram o Zé Inácio e o Luís Cabrita que tinham ido buscar uns dólares que faltavam.

No fim da semana passada, ouvíramos do chefe do Corpo Nacional de Escutas (que estava a organizar ‘mais pormenorizadamente’ a viagem) que, como o voo de regresso não estava confirmado, talvez tivéssemos de pagar mais dinheiro – até 45mil escudos, o que nos fez, inevitavelmente, engolir em seco e sentirmo-nos angustiados com o acréscimo de dinheiro que nos apanhara sem defesa.

Ali, na agência de viagens, foi-nos assegurado o voo, o que nos fez sentir bem mais entusiasmados e calmos para as três semanas seguintes.

Na semana de que falei atrás, num dos dias da bela azáfama, o Bruno foi à Embaixada da Coreia do Sul. Foram muito simpáticos com ele e deram uma data de livros e livretes para cada um dos participantes do nosso grupo. Na Embaixada, foi-nos igualmente oferecido um almoço, aquando do nosso regresso.

Regressando à agência de viagem, e continuando no mesmo tema, enquanto aguardávamos os bilhetes, o Embaixador telefonou para lá, para falar com o Bruno. Perguntou-lhe a hora de chegada no dia 19 de agosto e disse que ia esperar-nos ao aeroporto.

Entretanto, dois dos três elementos do Corpo Nacional de Escutas que foram connosco à atividade, foram fazer os vistos à Embaixada da União Soviética e foram diretamente para o aeroporto.

Assim que acabámos de resolver o que era preciso na agência, fomos para a paragem de autocarro nos Restauradores, com as mochilas às costas, prontos para o início desta experiência única. Mas enganámo-nos na paragem. Quando vimos o autocarro que dizia “Aeroporto”, esticámos o braço, como quem – normalmente – manda parar. Mas o autocarro seguiu, como se não fosse nada com ele. E não era. Ficámos indignados, mas só nos restava perguntar a alguém na paragem onde era o sítio certo. Lá nos indicaram, e lá fomos para a frente do Teatro do Rossio. Ainda esperámos quase um quarto de hora e o bus lá veio para nos levar, e nós, já lá dentro, entre silêncios, consciencializávamos aquilo que íamos fazer.

O avião partiria às 13.20h e eram já 11.52h quando chegámos ao aeroporto! Depois das despedidas a alguns pais e da verificação dos bilhetes por um empregado da TAP algo mal encarado, seguimos por um chão rolante adentro, separando-nos assim de Lisboa e começando a levar-nos para um espaço neutro.

Na bicha para a pesagem das bagagens, estava uma série de russas, tão altas como muitos jogadores de Basket da NBA, aliás, deviam ser de uma equipa de basket.

Ao longo do dia anterior preocupámo-nos bastante com o peso máximo das bagagens, dúvidas sobre ele (20 ou 25kg) e a taxa alta que teríamos de pagar caso excedêssemos o limite. Mas afinal as mochilas pesavam menos do que esperávamos e podíamos trazer ainda muitos quilos de recordações. Depois de pesadas, as mochilas foram atiradas – sim, o temo não podia ser melhor – para um tapete rolante para serem levadas para o avião. Lá iam as nossas “mimis”!

Mostrámos os passaportes novinhos em folha (para a maioria de nós) e indicaram-nos a porta por onde sairíamos – era a número dois. Houve um senhor russo – já com os seus 50 e tal anos – que meteu conversa connosco em inglês (o primeiro a meter conversa connosco, mas um dos únicos a falarem inglês). Enquanto o Bruno, o Ricardo, o Jaime e a Rita falavam com o tal senhor – bastante simpático, mas que se tornava algo cansativo com o passar dos segundos – o Zé e o Cabrita, que assumira várias vezes durante a manhã passada o seu vazio no estômago, foram comer a última sandes portuguesa. Voltaram quando a porta para o exterior já estava aberta. Nós, como escoteiros que somos, lá deixámos passar à frente da fila dezenas de pessoas.

À falta de mangas de acesso, surgiu um autocarro que nos conduziu ao avião. A entrada neste, confirmou finalmente a nossa partida com destino ao oriente.

A seguir a uns largos minutos de espera, para que todos se sentassem, o avião partiu para a pista principal da Portela. Uma hospedeira anunciou, em russo e num inglês muito rápido, que íamos partir, que a viagem duraria 5 horas e para apertarmos os cintos. Ao fundo do avião havia um quadro iluminado que nos dava a mesma indicação.

O entusiasmo aumentou ainda mais quando o avião partiu, às 13.53h. Cada vez mais rápido, pela pista fora, aquele transporte pesado seguia, cada vez com mais força, até que começou a subir. “É impressionante como tantas toneladas podem levantar voo!” – foi o comentário do Zé Inácio, surpreendido com o fenómeno, após deixar algumas conversas onde escondia o receio da viagem (juntamente com os outros também).

Enquanto subíamos, gastámos algumas fotografias no país que deixávamos.

Nós todos estávamos a meio do avião, na linha das asas; mas mais ou menos separados: o Cabrita e o Zé Inácio estavam ao lado um do outro, do lado esquerdo do avião; atrás estavam o Jaime e a Rita; na fila de trás, mas do lado direito, estavam o Bruno e o Ricardo.

Ao lado dos primeiros citados no parágrafo anterior, estava um senhor que nos foi esclarecendo de alguma coisa sobre aviões e viagens neles. Por termos mencionado a aparência “esquisita” e algo enferrujada do avião, este senhor assegurou-nos que o avião chegaria a Moscovo.

Quando a altitude foi mais ou menos estabilizada, as hospedeiras trouxeram uma primeira bebida, antes do almoço. Podíamos escolher entre Pepsi-cola, água das pedras e água normal. Pouco depois veio o almoço. O tabuleirinho, colocado num suporte destacável do assento do passageiro da frente, apresentava uma série de coisinhas, tudo mais ou menos pequenino, para o espaço pequenino que tínhamos: um pãozinho pequenino (do tamanho de metade de uma carcaça pequena), um pacotinho de 15gr de manteiga; num pratinho de plástico estava um rissol de camarão, duas fatias de uma espécie de fiambre, mas que sabia a frango, um pouco de salda russa e uma azeitona. Numa caixinha de alumínio, do género daquelas das rações militares, vinham dois bifinhos fritos em margarina e um pouco de massa em lacinhos com um bocadinho de ket-chup em cima. Para a sobremesa havia um bolinho de ovo, com o tamanho aproximado de uma queijada de Sintra. Ainda no mesmo tabuleirinho, vinham umas saquetas com sal e pimenta; outra com açúcar, um palito para os dentes, faca e garfo embrulhados num plasticozinho, colher para o bolo e outra para mexer o café ou chá no fim da refeição, que eram deitados numa chávena previamente colocada, também, no tabuleiro. Havia ainda dois guardanapos.

Como as hospedeiras preferiam usar a língua russa, a falar aquele que pouco ou nada dominavam – a inglesa – foi-nos difícil comunicar com elas. De qualquer forma, para facilitar a comunicação, utilizámos a mímica e os encolheres de ombros.

Nesta refeição, e nas seguintes, ficámos com o sal e com a pimenta, porque não tínhamos temperos para as refeições que prepararíamos algures nos arredores de Seul. A seguir a este almoço (que até estava bom) e depois de nos rirmos mais um bocado com aquelas “chalaças” mais ou menos do costume; enquanto uns faziam contas de escudos e de dólares e a sua distribuição – Jaime, Cabrita e Zé Inácio – outros, dormiam ou tentavam dormir. Todos, formavam a futura patrulha portuguesa no Jamboree.

Durante esta viagem a casa-de-banho foi descoberta pouco a pouco por cada um de nós. Foi concluído que:

- o autoclismo deita um líquido qualquer verde azulado que cheira um bocado mal e é um bocado difícil encontrar o botão que se pressiona para sair o tal líquido;

- se pisarmos um pedal que há por baixo do lavatório, a água não sai; em vez disso apanhamos uma martelada na perna de um recipiente para papeis;

- a temperatura da água é regulada com uma pecinha que há por cima da torneira, da esquerda para a direita, e a água sai, se pressionarmos uma espécie de interruptor por baixo da torneira;

- o papel higiénico estava um bocado molhado;

- os poços de ar (ainda que pequenos) sentiam-se melhor lá.

Por volta das 6 foi anunciado pelas hospedeiras que estávamos a chegar a Moscovo. Depois de uns minutos, já estava tudo calmo, sentadinho e com os cintos apertados; alguns (como nós) a espreitar as janelas ansiosos por uma nova vista recheada de mistérios.

Pisámos a terra eram 18 e 40, hora de Lisboa. Mas em Moscovo eram duas horas mais. À saída do avião havia uma manga de acesso que nos conduziu ao aeroporto. Em primeiro lugar (ainda não muito conscientes do lugar onde chegáramos), fomos mostrar os passaportes a um empregado que nos olhou de alto a baixo, viu e reviu os passaportes, e entregou-no-lo duramente. Obrigado, ou melhor, Spassiva, em russo.

Não percebíamos nada daquilo, nem qual o nosso seguinte afazer. Mas uns portugueses que tinham vindo connosco no avião lá nos disseram. Tínhamos de preencher um formulário, onde declarávamos o que tínhamos e o que não tínhamos. Arriscávamo-nos não sabíamos lá muito bem a quê, se mentíssemos ou nos enganássemos a preencher o papel, caso revistassem a bagagem.

Lá fomos buscar as bagagens ao chão rolante e abancá-las num sítio lá no meio do aeroporto, enquanto procurávamos informar-nos sobre a troca de moeda americana pela russa. Trocámos 10 dólares cada um.

Tínhamos um autocarro à nossa espera para nos levar para um hotel onde íamos passar a noite. Pusemos as mochilas na bagageira com a ajuda de um surfista que ia para o Hawai e estava – como nós – a fazer escala de um dia em Moscovo, com mais uma “senhorita” japonesa e a mãe dela.

Já no autocarro reparámos que, aquando da troca do dinheiro, a senhora que nos fez o câmbio retirou 10 dólares, o que pareceu uma taxa de câmbio excessiva. Mas já não dava para voltar atrás.

Seguimos então viagem para o hotel, ouvindo os constantes comentários do brasileiro, que nos faziam rir um bocado.

Pelo caminho fora, que seguia sempre a direito, via-se imensos polícias. Quando parámos numa bicha de automóveis e vimos limousines a passarem, lembrámo-nos que tal se deveria à visita do presidente ou vice-presidente dos EUA.

Reparámos – tristemente – na qualidade dos automóveis, na pouca vida daquele local e da monotonia dos edifícios.

Quando chegámos ao hotel, tivemos de, mais uma vez, mostrar o passaporte. Faltando os computadores, levaram um certo tempo a organizarem a nossa pequena estada naquele hotel. Deram-nos um papelinho que indicava o quarto que deveríamos ocupar. Discriminadamente, mandaram a Rita para um quarto separadíssimo dos outros.

Já com as bagagens nos quartos, reunimos no quarto do Cabrita e do Zé. Ficou decidido nesta mini-reunião que a seguir íamos para o duche e depois camita. No dia seguinte reuniríamos de novo às 8.45h para irmos tomar o pequeno-almoço.

Os quartos não eram maus. Mas achámos quea diária, 60USD era excessiva. O sabonete era quase asqueroso e o papel higiénico era áspero.

A diferença horária – ainda que pequena – já fazia confusão. Assim, embora cansados, custou-nos a adormecer.

Sair de Moscovo no dia do golpe de estado | 19 de Agosto de 1991 - 22º dia de actividade

 A partida do autocarro para o aeroporto era às 6h. Já havia claridade quando nos levantámos, às 4h30, hora do início do golpe de estado. Nã...