quarta-feira, 9 de março de 2022

Um pequeno acidente e os gadgets do Jamboree | Dia 8 de Agosto de 1991 - 11º dia de atividade

 Às 6.20h o Cabrita e o Nuno levantaram-se para irem buscar o pequeno-almoço e o almoço, mas quando chegaram ao sítio onde se dava a comida, souberam que os "Faroe Islandeses" já os tinham ido buscar para toda a "troop".

Os outros foram-se levantando com facilidade pois o sol já ia alto e até fazia algum calor. De seguida fomos tomar banho aos novos chuveiros. Já lavadinhos e fresquinhos, fomos fazer o pequeno-almoço. Com os cestos da comida vinha um livro com toda a ementa do acampamento. Achámos o pequeno-almoço enorme: ovos mexidos com bacon, corn-flakes, fruta e bolo. E sobrou.

A seguir à lavagem da loiça e arrumação, no campo começaram a fazer-se algumas construções. Primeiro foi o pórtico: os Faroe Islandeses deram a ideia, os portugueses aperfeiçoaram-na, ou seja, fizeram toda a construção, e os marroquinos "bateram palmas". Enquanto cortava um tronco com o machado, o Nuno cortou o joelho, fazendo um golpe profundo. O Jaime fez o primeiro socorro e depois foi para o Hospital do Jamboree acompanhado pela Rita, onde levou dois pontos. O hospital, feito numa grande tenda, era bastante bom e organizado. Mas, embora o Nuno se mostrasse bastante branco, ainda demorou quase três quartos de hora a ser atendido. Teve a sorte de se poder mexer à vontade, mesmo com os pontos, mas o azar de não poder fazer atividades aquáticas.

O Jaime teve uma reunião de chefes às 11h, onde recebeu informações para aquilo que iria ser o Jamboree enquanto atividade. 

Ninguém queria trabalhar muito. Realmente a vontade não era muito grande. Contudo, o que é certo é que só almoçámos por volta das 13h e apenas porque o Jaime nos "obrigou" a parar de trabalhar.

Durante o almoço, o Jaime deu-nos as informações que recolhera. Foi o seguinte: tínhamos direito a um lenço e boné de atividade, que tínhamos de usar durante o seu decorrer; ia haver a cerimónia de abertura às 20h na grande arena do campo, mas tínhamos de estar prontos às 18h, à entrada do sub-campo. Em relação à atividade, era assim: cada escoteiro tinha uma pulseira azul. À medida que ia fazendo atividades, faziam furos nas pulseiras para se saber ao fim o número de atividades que fizera. Para se obter a "especialidade" do Jamboree, tinha de se fazer três atividades obrigatórias e sete facultativas. No total eram 36 atividades. Para os escoteiros não irem fazer simplesmente as atividades que lhes apetecesse e às horas que quisesse, havia um computador que determinava as atividades e horas de cada um. Além disso, se não gostássemos ou não pudéssemos realizar determinada atividade, podíamos trocar com outros escoteiros. 

Algumas vezes, "vezes sem exemplo", conseguíamos fazer atividades mesmo sem o bilhete que nos dava o direito "legal" e muitas vezes a horas diferentes. É claro que essas exceções eram evitadas ao máximo pela organização, mas com um "choradinho" lá se conseguia o que se queria. Isto, também, com exceções...

Quanto aos lenços e aos bonés havia um problema: a indicação do nosso país e demais pequenos contingentes não estava na lista - ainda. Portanto, estávamos sempre a ver quando é que nos podiam dar e persistíamos. Na reunião de chefes o Jaime resolveu o problema e ia buscar o material às 16h. Mas o Bispo e o Bruno, pela manhã foram igualmente à luta pelo material e nunca mais chegavam para almoçar. Ainda esperámos, mas a fome já era grande e o trabalho para a tarde era tanto, que começámos a comer. O almoço foi sandes de queijo e fiambre, muita fruta e, para beber, tínhamos uma bebida que parecia Isostar. 

Mesmo no fim do almoço, apareceram o Bispo e o Bruno a dizer que tinham ido ao material pedir os lenços e os bonés do Jamboree, mas nada. O Jaime atalhou, dizendo mais uma vez que já resolvera essa questão na reunião da manhã.

Durante a tarde continuámos a trabalhar no pórtico e depois no mastro para as bandeiras. Para embelezar o pórtico, resolvemos fazer uma flor de lis em corda e pintá-la por dentro, de verde. Foi o Jaime quem a fez. Ficou simples, mas muito bonita. À medida que precisávamos de material - pinceis, tinta, corda, pregos - íamos pedindo aos outros contingentes, mas concretamente aos belgas, que traziam uma data de coisas e estavam ali mesmo ao lado.

Para o mastro, fomos buscar as três altas canas (mais ou menos 10m), que cada troop tinha direito lá no sítio do material e fizemos um tripé com a ligação a meio da cana. 

Fizemos ainda uma cerca para o mastro que custou um pouco a conseguir por os lados todos iguais, mas lá conseguimos. Tivemos de fazer tudo depressa porque ia lá o Príncipe de Marrocos, e os marroquinos estavam muito entusiasmados, e insistiam que tínhamos de estar fardados quando o Príncipe chegasse.

No fim do nosso trabalho, fomo-nos fardar e deixámos os Marroquinos fazerem a cerca exterior ao campo.

Felizmente, estava tudo pronto e em formatura quando Sua Alteza chegou. Com ele, veio uma data de fotógrafos, excitados com a ocasião. O Príncipe cumprimentou toda a gente. Os escoteiros marroquinos cantaram uma canção - que tinham ensaiado ao longo do dia - e que percebemos depois ser o seu Hino Nacional. Sua Alteza parou no contingente marroquino para falar com eles. Depois juntámo-nos todos para tirar fotografias. A seguir, os escoteiros marroquinos ofereceram três bolinhos diferentes a cada pessoa presente.

No fim de toda esta cerimónia fardámo-nos como pedia a organização - com o lenço, emblema e boné do Jamboree (que entretanto chegaram).

Demorámos algum tempo a jantar e atrasámo-nos um pouco, mas não houve problema, pois quando chegámos à entrada do sub-campo, embora já lá estivessem quase todos os escoteiros, tínhamos de esperar, não sabíamos porquê - ainda. Entretanto, o Cabrita foi desenrascar um mastro para a bandeira que íamos levar para a cerimónia.

Durante a espera, os escoteiros ali presentes cantavam coisas que sabiam e aplaudiam-se uns aos outros.

Chegou o "esperado". Era o desfile de escoteiros doutros campos, precedido de um costume excursional coreano, com coreanos lindamente vestidos, muitos tambores que davam um granda som, e muita alegria de todos os escoteiros atrás. A seguir à sua passagem, perfilaram os escoteiros do nosso sub-campo, incluindo nós, claro.

Nas curvas do caminho para a grande arena e numa ponte por onde tínhamos de passar, percebemos a quantidade de escoteiros que ali estava. A meio do caminho, entre as músicas e gritos dos escoteiros belgas e ingleses - que vinham à nossa frente e atrás de nós, respetivamente - nós cantámos a "Rama". Ficaram doidos! Primeiro calaram-se para ouvir bem e no fim aplaudiram bastante.

Quando lá chegámos, já a arena estava muito cheia. Sentámo-nos na relva, como todos. Havendo ainda alguma luz do dia, pudemos ver bem a mancha vermelha - dos bonés - que formávamos. Do céu, talvez se distinguisse bem essa mancha.

Antes do espetáculo em si, no palco desenvolviam-se danças coreanas. O espetáculo começou às 20h em ponto, anunciado por um locutor. Para além do palco - que mesmo lá de trás se via bem - havia dois grandes ecrãs onde se podia ver o que se passava no palco. Cantámos todos a canção do Jamboree. Numa enchente de música, fogo de artifício como provavelmente nunca voltaríamos a assistir ao vivo, muita cor, muitas fotografias, começou a festa. Em cada escoteiro vibrava de emoção à sua maneira. A seguir o Escoteiro chefe Nacional da Coreia do Sul veio dar as boas vindas e anunciar o Jamboree que, ao contrário da maioria dos atuais discursos, não foi chato. Depois foi a chegada das bandeiras. Estávamos sempre à espera da nossa. Quando finalmente entrou, gritámos e esbracejámos muito. O resto da cerimónia foi preenchido com danças de várias escolas coreanas e, no fim, muito fogo de artifício, de todos os lados.

Quando acabou, fomos contentes para os sub-campos, gritando de alegria por este acontecimento.

Chegámos ao nosso e, antes de seguirmos para o nosso campo, fomos às "dixies" que são as WC portáteis, espalhadas pelo campo. Antes de nos irmos deitar, fomos ainda tomar um grande banhão. De seguida, quase todos nos fomos deitar; apenas o Jaime e o Zé Inácio ficaram a ver as atividades que nos tinham sido destinadas pelo computador, quando foram a uma reunião com o resto dos chefes a seguir à cerimónia.


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

Finalmente, Sorakson | Dia 7 de Agosto de 1991 - 10º dia de atividade

 Hoje foi o dia de irmos para Sorakson, e o autocarro que nos levou arrancava às 9h. Acordámos às 6h e arrumámos tudo, desmontámos as tendas, etc. Como havia muitos bichinhos "acampados" no duplo teto e no cimo da tenda, quando sacudimos, assistimos a um espetáculo. O senhor Yum indicou-nos um sítio com sol para secar a tenda, mas mais tarde os cães estiveram a brincar ali sem darmos por isso, e ficou tudo sujo na mesma.

Depois de tudo arrumado e postas as mochilas no autocarro, fomos tirar fotografias todos juntos à entrada da sede. Primeiro, o senhor Yum tirou-nos duas fotografias com a máquina dele e depois tirámos nós. Deixámos algumas recordações com o Mr. Yum.

Antes de partirmos, pusemos a bandeira no vidro de trás do autocarro. Connosco, iam só dois alemães. Éramos para ir ter com os Bolivianos, mas eles não estavam lá, e seguimos só nós.

A viagem era de 7 horas. Havia um guia que traduzia as nossas perguntas ao motorista e vice-versa. Este dia deu-nos um guião de viagem, com as várias paragens que íamos fazer e a duração de cada trajeto. NO leitor de cassetes estava a dar músicas do Jamboree. Como eram sempre as mesmas, às tantas pedimos para mudarem para Phil Collins, Water Boys, etc. Atravessámos Seul de um lado ao outro para sairmos na direção de Sorakson. Estava muito trânsito e pudemos ver alguns dos locais por onde tínhamos andado nos últimos dias.

Pouco depois surgiu uma autoestrada que, naquele dia, era só para participantes do Jamboree. Toda a estrada exclusivamente para escoteiros e organizadores deste acontecimento. Tudo quanto era polícia e militares fazia continência à nossa passagem; a população acenava.

À medida que íamos avançando, a paisagem era mais espetacular. Imaginávamos já a beleza do local do acampamento. Para que a estrada se tornasse menos difícil no meio das montanhas, havia muitos túneis e viadutos. Umas vezes mais perto, outras mais longe, podíamos ver a linha do comboio, igualmente com muitos túneis. De uma vez, vimos um comboio a sair do túnel, parecia aquele anúncio da Nestlé. As florestas eram imensas e de grandes extensões; os rios eram límpidos e víamos pessoas a tomar banho, apetecia mesmo. Pela estrada fora víamos publicidade ao Jamboree, com muitas bandeiras, paineis, sempre o símbolo da atividade, havia também séries de bandeiras nacionais dos países presentes, pelo que, cada vez que víamos a nossa, aplaudíamos.

Nas paragens, além de irmos às "embaixadas", íamos conhecendo outros escoteiros que vinham nos outros autocarros. Eram tantos, que o Cabrita comentou, "Aqui só não há não escoteiros". Numa das paragens, quase todos comprámos uns bolinhos que pareciam de chocolate, mas eram um pouco enjoativos. Mais tarde, percebemos que eram de feijão.

Durante a viagem tirámos a desforra a horas de sono perdidas nos últimos dias, a Rita treinava o seu alemão, conversando os escoteiros alemães que vinham connosco; o Cabrita tirava algumas impressões com o anfitrião do dia (o guia da viagem).

A última parte da viagem durou 40m. Seguia por uma estrada de curvas apertadas e íngremes. Às tantas, começámos a descer para o vale onde decorreu o Jamboree. Chegámos às 16h, como previsto. Parámos na receção e o Tó foi perguntar qual o sítio onde íamos ficar. Quando voltou disse-nos que era no sub-campo 4, na troop 20. Despedimo-nos do intérprete e o motorista levou-nos para a entrada do sub-campo 4.

Aquilo era mesmo grande. Era uma autêntica cidade de escoteiros. Íamos estar ali uma semana inteira e mais um dia naquele sítio lindo, com escoteiros por todo o lado, lembrando-nos dos que não puderam vir connosco.

Com o contingente português, no nosso campo estavam mais dois, e como eram contingentes pequenos, ficámos todos juntos - além de nós, Marrocos e as Ilhas Faroe, que é um arquipélago que pertencia à Dinamarca e que entretanto tornou-se independente.

Enquanto o Jaime e o Tó foram informar-se de como estaria organizado o acampamento e outras coisas, o resto do grupo ficou a montas as tendas. O Zé Inácio e o Cabrita montaram um Iglu, o Bruno e a Rita montaram o Iglu do Jaime e o Ricardo tentou montar outra tenda, mas quando as outras já estavam montadas, ele ainda ia nas primeiras estacas, pois era mais difícil de montar e depois todos ajudámos. Um dos encaixes de um prumo partiu-se, e então o Cabrita improvisou um com um pau e a ajuda de facas de mato e a lâmina do corta-unhas do Bruno, que ficou ligeiramente torta.

A seguir fomos à receção buscar o material a que tínhamos direito - a cozinha e suas componentes. Eram imensas coisas: um toldo grande, uma mesa e dois bancos compridos para 4 pessoas cada, um fogão com dois bicos, o isqueiro, a bilha de gás, duas frigideiras, um tacho, uma panela enorme, uma espátula, uma concha, um pano de cozinha, uma esponja, uma luva, um alguidar e dois jerry-cans. Fomos ver como outros estavam a montar tudo aquilo para conseguirmos montar o nosso material.

Assim que acabámos, começámos logo a fazer o jantar, que era almôndegas. Havia também manteiga, pepino, cenouras, ket-chup. Fizemos sandes. Para empurrar, tínhamos leite. 

Depois tivemos de decidir quem ia dormir onde. O Zé Inácio e o Cabrita juntos, o Ricardo e o Jaime noutro iglu, a Rita e o Bruno na tenda.

Soubemos pelo Tó que a alvorada era às 6h, todos os dias, e que tínhamos de ir buscar o pequeno-almoço até às 6.30h. Por isso, rifámos os sacrificados para o dia seguinte. Os primeiros sorteados foram o Nuno e o Cabrita. O Tó, chefe do nosso contingente, tinha de ficar a dormir com os outros chefes, noutra zona do campo.

Quando acabámos de jantar fomos lavar a loiça e deitámo-nos, a ouvir montes de gente a falar até às tantas.

A cidade olímpica de Seul | Dia 6 de Agosto de 1991 - 9º dia de atividade

 Chiça, nunca mais começa o acampamento! No dia anterior combináramos acordar Às 7.30h mas só acordámos às 8h e ainda tínhamos muito sono.

Depois do banho, comemos corn-flakes e preparámos umas lembranças de Sintra para dar na Embaixada, enquanto fazíamos o "programa das festas", do dia. Decidimos ir de manhã ao Complexo Olímpico, almoçar lá, depois ir à Embaixada e por fim fazer as últimas compras, pois seria o último dia em Seul.

Mais uma aventura de transportes para chegar ao complexo olímpico, e uma caminhada final. Passámos por uma mercearia onde comprámos o piquenique do dia. Embora com fome, ficámos entusiasmados para procurar a bandeira portuguesa entre 165 e para ver a chama olímpica.

Depois do almoço, começou a chover. Corremos para uns bancos que tinham um tejadilho. Ficámos ali quase meia hora à espera que a chuva parasse. Quando parou, fomos finalmente visitar o parque, começando por um museu, o "museu do ar". Tinha umas esculturas feitas por amadores. As obras tentavam dar um significado subjetivo ao corpo do homem e sua utilização. Pelo parque fora também havia esculturas espalhadas pelos relvados.

A certa altura avistámos um complexo de estádios e quase corremos para lá. O primeiro era o velódromo. Vimos lá alguns ciclistas de cross amadores às voltas. O segundo, onde só havia meia dúzia de pessoas nas bancadas, era o de Haltereofilia. Havia mais dois, fechados, que deviam ser de ginástica. O último que vimos foi o de natação e adorámos. Era o maior, com uma piscina de 50m e uma para os saltos. Estava muita gente a fazer natação. Havia lugares para milhares e milhares de espetadores. Mas não tínhamos todo o tempo do mundo. Tínhamos de ir à Embaixada e às compras. Demorámos a encontrar a saída do parque gigante.

Ao trocar de metro, perdemos o Bruno de vista. Como ele no outro ia a dormir, pensámos que ainda lá estivesse. Então, estávamos a programar quem iria descer na próxima estação e regressar para o ir buscar, quando ele aparece na outra carruagem.

Durante a viagem esteve sempre a chover, e lembrámo-nos da roupa que deixáramos a "secar" no campo.

Deixámos as "little souvenirs" na Embaixada, assim como as nossas moradas, e despedimo-nos. Ficaram contentes com as lembranças e mostraram-se tristes com a despedida, a Mónica até se comoveu. 

Depois fomos comprar souvenirs de Seul para levar para Lisboa, no mercado. Para chegar ao mercado, foi mais difícil. Apesar de estarmos em Seul há quase uma semana, ainda não éramos azes da orientação, mas para lá caminhávamos. Após alguma discussão, uma senhora meteu conversa connosco e ajudou-nos a encontrar o caminho certo.

Já no mercado, o Bruno, que antes de "pobre" queria comprar um relógio à prova de água, um "Rolex Polaris", tendo um fundo de maneio, quis usá-lo para comprar o relógio. Depois de muito regatear, lá conseguiu comprar um.

O Zé Inácio andou muito tempo de roda das máscaras tradicionais. Quando estava prestes a desistir por não conseguir o preço que queria [esta parte do relatório está uma confusão, não percebo].

Para variar, fomos jantar ao Hardee's. Seguimos para o campo no autocarro 158 que é o que vai sempre mais depressa, mas também mais cheio. Foi a última vez que fizemos aqueles 2km. O Zé Inácio estava aflito das virilhas e tinha de andar com as pernas ligeiramente afastadas. Felizmente conseguimos boleia de dois carros, quase seguidos.

Quando chegámos vimos um grupo enorme de pessoas a cantarem e a fazerem uma grande festa. Depressa soubemos que eram miúdos de uma colónia religiosa que também estava ali instalada.

Foi a última noite no campo de formação de escoteiros da Coreia do Sul.

Seul e os seus esplendores... e uma carteira perdida | Dia 5 de Agosto de 1991 - 8º dia de atividade

 A alvorada hoje tinha mesmo de ser às 6h. Apesar do cansaço do dia anterior, alguns já estavam bem acordados a essa hora.

Antes de sairmos, o Mr. Yum, com receio de que fôssemos à boleia, indicou-nos os números dos autocarros e o que estava escrito à frente desses números, em coreano. Saímos para a habitual caminhada às 7.50h. Em vez de pagarmos - como era costume - o autocarro, utilizámos umas fichas, equivalentes aos módulos [bilhetes que se compravam em grupos de 10 p, ex] que os CNE tinham comprado no dia anterior e que torna a viagem mais barata. Como saímos um pouco longe de City Hall, local de encontro com a conselheira Maria Júlia e com a Mónica, chegámos nove minutos atrasados.

Seguimos para o metro, guiados pela Mónica, que estava muito contente com o dia de folga da Embaixada. Pagámos 600wons - 120$ [0.6€] para irmos até à paragem de metro mais perto da agência turística que organizava as excursões para a Aldeia Folclórica.

Esta viagem de metro teve uma particularidade: não foi subterrânea, mas sim como um comboio normal. Apenas as primeiras estações foram "underground". Após uma hora e 10m de viagem, sempre de pé, numa estação estava tudo a sair e outras pessoas a entrarem. Nós, como estávamos cansados, sentámo-nos logo. Mas eis que percebemos que era a última paragem e tivemos de sair. Mesmo a tempo!

Comprámos os bilhetes de entrada na aldeia mas ainda tínhamos de esperar uma hora pelo autocarro que nos deixaria na aldeia. Aproveitámos para comprar bebidas e para trocar dinheiro e distribuí-lo.

No autocarro tivemos de ir de pé outra vez até à aldeia.

Como eram quase 13h e perto da entrada da aldeia havia uma nascente de água potável (o que é muito raro na Coreia, segundo as trabalhadoras da Embaixada), almoçámos. Ao pé desse lugar havia uma loja com souvenirs onde um artesão gravava a fogo desenhos lindíssimos em peças de madeira.

A juntar aos escoteiros mexicanos e italianos que víramos no dia anterior, neste dia vimos escoteiros de todo o lado! Especialmente canadianos que não se fartavam de oferecer crachás, que traziam às carradas nos bonés. Muitos escoteiros quiseram conhecer-nos pela originalidade da farda [ou pela sua composição em desuso] e do chapéu. Também elogiavam o nosso inglês. Considerámos muito estranho que muitos escoteiros não conhecessem o aperto de mão escotista. E então, ensinávamos.

A Aldeia Folclórica tinha as casas típicas, claro; as divisões das casas explicadas por cima de cada uma; os celeiros, os instrumentos de ceifar e moer.

Por um dos caminhos, desfilava um casamento típico, com a noiva num cubículo muito pequeno segurado por quatro homens, o noivo a cavalo e os criados vestidos a preceito com bonitas cores. Todavia, "Eles casam-se todos os dias", foi o comentário de Mónica, já habituada ao cortejo.

A seguir havia um sítio onde se podia escrever num papel por 500 wons - 100$. Então pedimos à Mónica que escrevesse os nossos nomes em Coreano. A técnica de escrita é de cima para baixo e da direita para a esquerda. Além disso, o papel é dobrado uma série de vezes, consoante o número de palavras e caracteres que se querem escrever, de modo a que não falte nem sobre espaço no papel. A princípio, a Mónica estava a tremer de vergonha, sentindo-se observada por tanta gente, mas depois para o fim já estava à vontade. 

Depois passámos por um baloiço gigante onde é hábito os coreanos andarem, e de pé. Todos quiseram experimentar. O Tó foi quem conseguiu ir mais alto, talvez por ser mais leve, e apanhou o jeito logo ao princípio. Mais à frente, havia um espetáculo numa corda bamba. O funâmbulo dava saltos espetaculares e foi muito aplaudido.

Entretanto, o Ricardo "decidiu" desaparecer e o Cabrita e o Jaime foram à procura dele. Saímos do complexo turístico e ficámos ainda um bocado à espera do autocarro. Quando entrámos, monopolizámos a parte de trás do autocarro. Estávamos tão bem instalados, que adormecemos.

Não faltando à promessa do dia anterior, fomos à Torre. Despedimo-nos da Conselheira e da Mónica no City Hall e seguimos o mesmo caminho do dia anterior. Andar de teleférico constituiu uma primeira experiência para a maior parte de nós. Depois mais uma escadaria e ali estava a Torre. À entrada, um elevador. Quando picámos os bilhetes, que também eram um postal, deram-nos um porta-chaves. Ficámos doidos quando chegámos lá acima. A Torre ficava mesmo no centro da cidade e podia ver-se tudo. Como era o fim do dia, vimos o sol por-se e as luzes da cidade a aparecerem cada vez mais depressa. Com a vista infinita que tínhamos à frente, pudemos compreender o elevado número de habitantes desta capital. Quanto mais olhávamos, mais a cidade parecia crescer para os subúrbios.

Subimos mais três andares e fomos jantar ao restaurante panorâmico, cujo chão rodava em torno do eixo da torre, por isso íamos vendo tudo enquanto comíamos. Como o restaurante era obviamente caro, não pudemos satisfazer o nosso estômago devidamente.

A seguir ao jantar, descemos. Lá em baixo havia um painel com as torres mais altas do mundo e a Rita, o Cabrita, o Zé Inácio e o Jaime ficaram a comparar torres e o Ricardo e o Bruno foram jogar "Tetris" para uma sala de jogos que lá havia. Concluímos que a Torre de Seul era a terceira mais alta do mundo e a mais alta do Oriente, só que ao nível da água do mar, pois ao nível do solo, não é das mais altas.

O Bruno às tantas bateu com a mão na testa, "não sei da carteira!" O Jaime, meio "irritado" com a situação, pois parecia que a carteira teria sido perdida na sala de jogos, mandou-o ir lá acima mais o Ricardo. Apesar da situação, o Bruno estava bem disposto.

No regresso ao metro, passámos por um supermercado onde comprámos o pequeno-almoço do dia seguinte. Já no metro, sentámo-nos como as demais pessoas, de cócoras. Apareceu um senhor que simpatizou com a nossa figura e meteu conversa connosco. Queria mandar a Rita embora e oferecer um copo aos rapazes. Ofereceu-nos uma coisa para comer, que não identificámos, e recusámos. Ele tentava comunicar connosco em coreano e nós tentávamos despedir-nos dele em português. Uma risota.

Entretanto chegaram o Ricardo e o Bruno, mas sem carteira. Pois é, o Bruno, que tinha montes de dinheiro na carteira, ficou só com o dinheiro russo, que guardara noutro sítio. Passámos a chamar-lhe "o pobre" até ao fim da atividade, mas o Jaime decidiu dar-lhe um fundo de maneio para compensar a perda da carteira.

No caminho de regresso, dormimos e na parte de caminhar para o campo, apareceu uma carrinha a oferecer boleia, e nós aceitámos.

Não tomámos banho por preguiça, só os pés, que estavam impossíveis depois de tanto caminhar. Depois metemo-nos nos sacos-cama e adormecemos outra vez que nem uns anjinhos.

Secret Gardens de Seul e mais hamburgers | Dia 4 de Agosto de 1991 - 7º dia de atividade

 Estávamos tão moles que não nos queríamos levantar. Então, ficámos a brincar com os cachorrinhos que tinham vindo à porta da tenda. Entretanto, apareceu um fotógrafo que nos pediu para tirar fotografias de nós dentro da tenda. Disse que era para o jornal do Jamboree.

Tomámos banho e fizemos o pequeno-almoço que comemos mais ou menos pelo meio-dia. Assim que nos "despachámos", fomos fazer o caminho do costume até à paragem de camioneta e consequente viagem de autocarro até Seul. Neste dia íamos visitar os jardins secretos, que nos tinham sido recomendados na Embaixada, que seria giro vermos, e pusemo-nos a caminho.

Com a ajuda do mapa e de algum desenrasque, chegámos num instante. Mas a visita guiada daquela hora, em inglês, já tinha começado há um bocado e outra, só às 15.30h. Por isso fomos procurar um sítio para almoçar. Pusemo-nos a andar por uma avenida fora, cheia de restaurantes, mas só coreanos. Então, já meio fartos, sentámo-nos a olhar para o mapa. Apareceu uma família coreana e quem meteu conversa foi a filha mais nova, para aí com 5 anos, porque tinha ido aos Estados Unidos e sabia falar inglês. Aproveitámos para perguntar por um restaurante ocidental [shame on us] e eles indicaram-nos a "Americana", que é outro sítio onde se comem... hamburgers. Lá demos com aquilo ao fim de algum tempo.

A seguir ao almoço voltámos depressa para a entrada dos "Secret Gargens" para entrar a horas com o resto da excursão daquela hora. Na visita vimos escoteiros mexicanos e italianos. Durante a visita, o Ricardo meteu conversa com a cicerone que ficou muito contente por haver turistas tão interessados. Houve uma paragem de uns 10 minutos num sítio muito bonito, com um grande lago e grandes casas típicas coreanas. Mais para o fim havia umas árvores muito estranhas para nós e muito antigas, e com lendas de dragões e de serpentes associadas.

À saída, sentámo-nos um bocado para decidir o próximo passo do dia e decidimos ir à Torre de Seul. Andámos em mais alguns transportes até à estação central e depois fomos a pé até à Torre. Depois de subirmos várias ruas e estradas "algo" íngremes, e de subirmos umas quantas escadarias, chegámos ao "sopé" da Torre. Dali, apanhava-se o teleférico e a seguir é que era a Torre. Um coreano, que tinha aprendido português na faculdade, mas que já tinha esquecido pela falta de prática, disse-nos que já fechara e, vendo a nossa expressão de desilusão, indicou-nos um sítio bem perto dali que era um género de jardim zoológico, mas em ponto pequeno. Fomos então ver umas aves raras, uns macacos e umas galinhas enjauladas, ficando a promessa de voltar no dia seguinte, mas cedo, para visitar a Torre.

Voltámos para trás e fizemos compras para o piquenique na Aldeia Folclórica que iríamos visitar no dia seguinte. Jantámos no Hardee's e depois voltámos ao campo para dormirmos que nem uns anjinhos. 

sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

Aspetos culturais na Coreia do Sul | Dia 3 de Agosto de 1991 - 6º dia de atividade

 Quando acordámos descobrimos que, mais ou menos ao pé de nós, tinham dormido também escoteiros mexicanos.

Tomámos banho e, mais uma vez, comemos farinha de chocolate pensal feita com leite em pó.

Como íamos nas calmas no caminho para a estação, demorámos um bocado a fazer os 2km, a que nos acostumávamos, dia após dia.

Já não era muito cedo e nós estamos sempre com fome. Então, quando chegámos a Seul fomos almoçar ao Wendy's. Começávamo-nos a fartar um bocado de hamburgers, mas ao mesmo tempo que nos fartávamos, habituavamo-nos à rotina.

A seguir ao almoço andámos às voltas e tirámos bastantes fotografias. Às 15.30h fomos para o Hardeis (?) onde tínhamos combinado. O caminho para a casa do embaixador ainda era longo e andámos a pé um bom bocado para além de duas carreiras que tivemos de apanhar.

Depois das apresentações ao Embaixador, fomos comer. Havia muito que comer - salada de frutas, mousse de chocolate, sandes de queijo e de presunto, salgadinhos, bolo de chocolate, sumos frescos, café gelado, etc.

Acalmado o estômago, começaram, em maior força, as palestras, chamemos assim. Tivemos uma conversa bastante interessante com o Embaixador, que esteve a contar-nos muitos aspectos culturais da Coreia do Sul. O aspeto que ele mais acentuadamente focou foi o facto de se estar a perder alguma cultura que havia antigamente, na Coreia. Mas este tipo de aculturação, feita principalmente pelos americanos que têm uma base militar, nem por isso tem feito muito melhor ou pior ao povo coreano. O povo das aldeias e do campo não tem sentido mudanças, segundo ele, pois continuam com a sua casinha, a sua cultura de arroz, sem muitas influências urbanas. Muitos há, no entanto, que saem do campo para a cidade, em busca de uma vida menos cansativa; mas, como em todo o lado, perdem bastante com o êxodo. Continuando, antes da vinda dos americanos e consequentes influências, não havia roubos e existia muito pouca marginalidade. Houve um crescimento muito acentuado de Seul - neste momento a cidade e arredores englobam cerca de 18 milhões de pessoas - crescimento este que contribuiu consideravelmente para a existência de algum "fora da lei". Em relação à vida na cidade, as pessoas são menos simpáticas do que as do campo - no campo não há tanta competitividade relativamente àqueles que vivem na cidade e arredores.

Falando do povo em geral, são muito amigos uns dos outros, havendo no entanto alguma desconfiança entre eles. Dentro do mesmo sexo e apenas como prova de amizade, andam abraçados ou de mão dada, facto que seria logo mal visto por muitos portugueses e outros povos ocidentais.

Um factor de difícil aceitação da nossa parte relativamente à cultura coreana, é a maneira como são feitos os casamentos e a vida dos casais (é uma generalização, mas pronto). Os casamentos são arranjados por casamenteiros. As pessoas namoram com quem quiserem, mas quando chega a altura do casamento, têm de casar com fulano de tal e pronto. Com isto, muitos homens e mulheres coreanas são tristes. A mulher é quem manda em casa, e o marido trabalha. Depois, parece mal se o homem não chegar tarde a casa. Mesmo que não queira, a mulher manda-o dar uma volta e só lhe abre a porta a partir de determinada hora. Assim, o homem, sem muito ou nada que fazer, embebeda-se.

Outro factor relevante é a religião. Em primeiro lugar, é importante sublinhar que a religião é a base da cultura. A religião com mais crentes é o Budismo, que foca em três princípios básicos: a disciplina, a organização e a concentração. Depois, como a Coreia é muito aberta às influências exteriores, foi o país do oriente onde o cristianismo teve mais aceitação.

A Coreia é, já de si, um país com uma cultura muito aberta às outras culturas, pois durante séculos e séculos não tinham nada de fora, só da China. Como disse o Embaixador, "as influências culturais partem dos arredores do país [países vizinhos] e daqueles que cá vêm."    

Como já estava a ficar tarde para nós, embora fosse interessante, tivermos de acabar a conversa. Fomos ainda tirar fotografias - daquelas do género das de família - ao pé da bandeira portuguesa e ficou combinado que no dia 5 iríamos todos visitar a aldeia folk. 

Depois saímos, juntamente com a Mónica e a Isabel. Elas perguntaram se nós queríamos conhecer o sítio onde os jovens universitários se juntavam à noite, que eram umas ruas num bairro em Seul. Lá fomos de metro e de autocarro para o local, onde jantámos, num restaurante. Como a comida era muito picante, pediram aos cozinheiros para não por tanto, mas continuava bastante picante, principalmente umas lulas e respetivo molho. Gostámos todos muito de uma espécie de Pizza, do arroz, e da água. E de uma bebida, cerveja ou licor de arroz? que cheirava muito a álcool, mas que até não parecia muito alcoólica.

A seguir ao jantar, quando passeávamos nas ruas daquele bairro, reparámos que os grupos de jovens se reuniam em círculos, sentados à chinês ou sentados sobre os pés. Vimos um grupo de músicos a ensaiar para um espetáculo de amadores que ia haver dali a duas semanas. Era um som muito forte, provocado principalmente por tambores. Numa pequena arena, estava um cantor a cantar "La Bamba", algo que não esperávamos. As duas funcionárias da Embaixada vão habitualmente para ali, mais ou menos uma vez por semana. 

Regressámos de metro e de autocarro para a estação e despedimo-nos da Mónica e da Isabel. Antes de irmos para o campo de formação, passámos por um supermercado, onde comprámos o pequeno-almoço do dia seguinte. Fizemos o habitual caminho de volta de camioneta, mais os 2km, e quando chegámos, fomos logo nos deitar.

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Hamburgers por todo o lado e compras no mercado | Dia 2 de Agosto de 1991 - 5º dia de atividade

 Tinha chovido a noite toda e às cinco e tal da manhã o Zé Inácio acordou todo molhado. Então vestiu-se todo e deitou-se noutro sítio da tenda. Depois dormimos até perto das 11h. Muito à vontade com o tempo, tomámos banho, lavámos meias e tal, depois, como estava a chover fizemos o pequeno-almoço ao pé de uma garagem por baixo da sede. Tivemos uma certa dificuldade em fazer o pequeno-almoço porque os cachorrinhos estavam sempre a querer cheirar. Comemos, ao meio dia e tal, farinha Pensal feita com leite em pó, e juntámos à refeição bastante do pequeno-almoço que o chefe oferecera no dia anterior.

Para a paragem de camioneta ainda eram 2km. Embora a circulação fosse pouca, o Zé, o Jaime, o Cabrita e a Rita apanharam boleia de um senhor que não andava a mais do que 30km/h. Devido à velocidade a que íamos, quando chegámos à paragem, não tivemos de esperar mais do que cinco minutos pelo Ricardo e pelo Bruno. Com a ideia da boleia, pedimos boleia na paragem a alguns carros, para ir para Seul. O senhor Yum desaconselhou-nos ao máximo a boleia e não descansou enquanto não nos viu dentro do autocarro. Mas andar de autocarro em Seul é das maiores aventuras urbanas. Os condutores aceleram constantemente e quase que batem. Fartam-se de buzinar e só travam mesmo em cima das paragens. Mas é impressionante como não batem. Têm ótimos reflexos.

Parámos perto da estação e voltámos a dividir-nos. Andámos por ali às voltas e entrámos por uma rua cheia de mercado - com muita cor, muitas coisas, muita gente. Os coreanos que se metiam connosco perguntavam, "Jamboree?" e nós "Yes", e eles: "Where are you from?" e nós, "Portugal". E eles, "Ooh", e faziam a relação ao país com o desporto, dizendo, "Junior Socker" (Portugal ganhara nesse ano o mundial, na Luz), e "Eusebio" e ainda "Lopes, maraton". Ao quinto ou sexto coreano, rendemo-nos ao sotaque porque assim entendiam-nos melhor. 

Tínhamos combinado com os CNEs às quatro e meia para telefonarmos para a Embaixada. Lá fomos, mas antes fomos comer um Hamburger ao "Wendy's" e fomos à "Embaixada" (que agora era nick name para WC). Depois lá nos encontrámos todos com a conselheira do Embaixador. Fomos de autocarro até ao sítio das compras. A conselheira insistia com a "Guida" em comprar uma imitação genuína dum fato de treino da Channel. Nessa tarde, fartámo-nos de andar "nas ruas do comércio", de discutir preços, de discutir preços e, ah, de discutir preços também (acabámos por comprar bastantes coisas, sobretudo coisas típicas coreanas, entre elas máscaras características).

No fim das compras fomos comer ao Mc Donald's Os preços daqui já não eram como os de Moscovo, por um hamburger já pagávamos duzentos e tal escudos.

Regressámos à estação de autocarro. Ficou combinado com a conselheira encontrarmo-nos todos no dia seguinte às 15.30h no Harden's - outra casa de hamburgers, para depois irmos lanchar a casa do Embaixador e falarmos com ele. Saímos na estação e apanhámos outra carreira, para a paragem mais próxima do campo de formação. Fizemos os tais 2km a pé. Quando chegámos, o Mr. Yum estava chateado porque não disséramos que íamos chegar tarde. Mas afinal tinha sido um mal entendido entre o Tó e o Mr. Yum.

Quando fomos para a tenda, o Bruno e o Ricardo andaram ao moshe com os CNEs para adquirirem o resto do pequeno almoço que o chefe nos tinha oferecido. Depois fomos dormir.

Sair de Moscovo no dia do golpe de estado | 19 de Agosto de 1991 - 22º dia de actividade

 A partida do autocarro para o aeroporto era às 6h. Já havia claridade quando nos levantámos, às 4h30, hora do início do golpe de estado. Nã...